Ex-trangeira

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Sou daqui, mas tenho cara de lá. Moro aqui e lá. Acabei sendo de lugar nenhum e de todos os lugares. Quando não publico fotos, meus amigos escrevem ou ligam perguntando: onde você está? Às vezes, nem eu sei direito. Estou aqui e lá. Gosto de ambos. Hoje, no entanto, me tornei menos estrangeira. O motivo é tolo, quase torpe, mas para mim significou uma daquelas barreiras invisíveis que demoramos tanto, tanto tempo para derrubar porque alguém diz que é ruim, outro avisa que é perigoso, mais um fala que não fica bem.

Hoje desobedeci. Hoje decidi que abandonaria o castelo da princesa e seria aqui como sou lá, comum. Na prática, significou acordar cedo, botar uma roupa comum, esvaziar a carteira, guardar no fundo da mochila o dinheiro, os cartões e o celular. No bolso da calça, o trocado para o ônibus.

Eu sei que é ridículo contar isso. Especialmente porque faz três anos que ando com meu passe único pendurado no pescoço quando estou lá, em São Paulo. Mas aqui na Bahia, eu havia incorporado o arquétipo “princesinha”. Nunca havia encarado o “buzu” para voltar de Salvador para meu quarto em Arembepe. Não havia cumprido o trajeto de todos os dias de quem desce no ponto final e caminha a pé até o serviço. Foi carregando minha mochila nas costas pela rua dos pescadores, que me dei conta de ter ficado menos estrangeira e mais local. Foi arrastando as chinelas pela rua de paralelepípedo paralela ao mar, que senti o quanto gosto daqui e dessa vida de ciclos de natureza e de gente. Gente que chega e gente que vai, como a nuvem, a chuva e eu.

Pronto, falei.

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5 comentários sobre “Ex-trangeira

  1. E falaste muito bem,Cláudia! Essa vidinha daqui é mesmo muito boa e para estar intregrada nela, é preciso viver como se daqui fôssemos, falando com os pescadores, com o povo das ruas,caminhando com chinelos pelas ruas, sentindo a cidade!
    Adorei te ler e adorei a cidade e tudo aqui! bjs, chica

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  2. Querida parabéns poder poder deixar a estrangeira de lado! Vc escreveu, ou eu te li, com a jovialidade da adolescente que conseguiu o “álibi ” de ir pro colégio de busão como algumas amigas já o fazem! Carinho e abraço afetuoso.

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