Férias, agora entendi

Tenho 51 anos e vivo aprendendo coisas novas. Nestes últimos doze dias, aprendi o significado real da palavra férias. Aproveito para pedir desculpas àqueles que tiraram férias em minha companhia antes dessa descoberta.

Férias é um período de pausa, mas principalmente de mudança. Hora de trocar de ares, no caso de quem pode viajar. Hora de trocar de hábitos, em geral. Troquei muito de “ares”. Essa foi a primeira vez que mudei os hábitos. Simples e óbvio, mas eu era incapaz de fazê-lo. Achava que tinha que desbravar, percorrer e conquistar: milhas, lugares, restaurantes, estrelas, atrações. Tirava férias como eu trabalhava: sofregamente.

Dormir? Apenas as seis horas regulamentais. Sentar e ficar de boa? Só para recuperar o fôlego. Enquanto conhecia, tinhas ideias, criava pautas, negociava, vendia, planejava, respondia mensagens, telefones e E-mails. Sim, nestes doze dias respondi e-mails. Tinha hora para fazê-lo. Só à noite. Com calma. Perdi reservas ? Talvez. Paciência. Não vou morrer de fome por isso.

Nessas férias, aprendi inclusive a dosar o uso das redes sociais. Olhei poucos as timelines. Postei pouco também porque não ganho para isso e estava pagando (caro) para descansar. Nossa como os dias renderam. Nossa como vi, aprendi e conheci lugares.

Em meu último destino, Firenze, cidade dos meus antepassados, vi uma cena que me impactou. Uma casal chinês jantava no restaurante I Latini, no anos 80, o preferido da classe média fiorentina. No meio do jantar, com vinho e bisteca, o jovem chinês, cansado da maratona e meio embriagado de vinho Chianti, literalmente desabou sobre o prato. A mulher impassível seguir olhando a tela do iPhone 7 dela. O garçon, assustado, foi saber se estava tudo bem. O rapaz se recompôs um pouco, se encostou na parede, mas cinco minutos depois tombou novamente. A noiva seguiu no celular. Quando pedi a conta, comentei com o garçon a cena. Ele foi definitivo:

“- Não foi a primeira vez, nem será a última. Eles não tiram férias. Eles viajam como se estivessem em uma maratona. Não é prazer. É trabalho. Chega a noite, estão mortos. Eles têm dinheiro e eu tenho pena deles. ”

Ponto final. Que garçon danado de inteligente. Bravo!

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12 comentários sobre “Férias, agora entendi

  1. Eu estou de férias, mas por conta de uma viagem agendada para o fim do ano, fiquei pelo Rio mesmo e foi tão bom… Fiz um pequeno diário com algumas breves alegrias (acho que pra me convencer de que as férias em casa poderiam, sim, ser deliciosas): revi amigos queridos, subverti uma receita de biscoitos de canela, escolhi uma praia para estender a canga, corri (tentei, vai) numa pista linda, coloquei os exames médicos em dia, conheci um novo restaurante… Coisas simples, exageradamente simples, mas que me deixaram bem feliz só porque eu tinha tempo para fazê-las. TEMPO.

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