Como eu trabalho – entrevista

Como trabalha Claudia Giudice

Claudia Giudice é empresária, jornalista, mestre em Comunicação pela Universidade São Paulo e autora do livro A Vida Sem Crachá.

Como você começa o seu dia? Você tem uma rotina matinal?

Começo o dia cedo. Durmo de janela aberta e acordo com a luz. Tenho uma rotina que muda conforme o lugar que estou, São Paulo, Arembepe ou Salvador.

Em São Paulo, levanto para ajudar meu filho a ir para a escola. Depois passeio com o cachorro pelas ruas do bairro, tomo café e começo a trabalhar. Faço uma agenda de trabalho com tarefas para concluir. Sempre.

Na Bahia, acordo, checo as reservas, reabro o sistema operacional e vou à vila de bicicleta buscar o pão fresco. Ajudo a arrumar o café da manhã dos hóspedes. Sirvo. Dou uma geral. Quando acalma, vou tocar minhas outras tarefas.

Como você administra o seu tempo? Você prefere ter vários projetos acontecendo ao mesmo tempo?

Toco vários projetos e trabalhos ao mesmo tempo. Cuidar da pousada, cuidar da loja de arte popular, Coisas da Ninoca, cuidar da rede social, cuidar do blog, escrever o próximo livro sobre Plano B e tocar o projeto do museu a céu aberto na aldeia hippie de Arembepe. Preciso aprender a trabalhar menos. Risos.

Como é sua relação com a tecnologia? O e-mail tem interrompido sua vida produtiva? Que ferramentas você usa para se manter organizada?

O e-mail é uma das minhas principais ferramentas de trabalho. Faço as reservas da minha pousada por e-mail. Uso e-mail, WhatsApp, redes sociais. Para me organizar, uso minha agenda de papel com listas de coisas para fazer escritas à mão, como antigamente.

Como costuma ser o seu local de trabalho? Você precisa de silêncio e um ambiente em particular para trabalhar?

Trabalho em casa quando estou em São Paulo. Mas posso trabalhar em qualquer lugar. Não preciso de silêncio. Na Bahia, trabalho na recepção, na varanda, na frente do mar, em qualquer lugar. Gosto de trabalhar também no clube, em cafés e se for preciso até dentro do carro.

De onde vêm suas ideias? Há um conjunto de hábitos que você cultiva para se manter criativa?

As minhas ideias surgem de conversas, leituras e situações do cotidiano. Gosto muito de andar ou pedalar pensando na vida e nos meus projetos. São situações que me ajudam a criar. Tomar banho de chuveiro ou de mar também ajudam as ideias.

Como você lida com bloqueios criativos, como o perfeccionismo, o medo de não corresponder às expectativas e a ansiedade de trabalhar em projetos longos?

Eu começo a fazer. O livro que estou escrevendo, por exemplo, começou a ser escrito como uma colcha de retalhos. Vou fazendo e a angústia diminui. Depois, vou arrumando, mudando, mexendo, editando. Não sou perfeccionista. Sou adepta do “bom o suficiente”. Vou fazendo, fazendo e os pontos vão se ligando. Uma das vantagens da idade é perder a vergonha de errar. Saber da própria vulnerabilidade. Entender que o erro e o fracasso são maiores que o sucesso. Raro é dar certo.

Você desenvolveu técnicas para lidar com a procrastinação? Que conselhos sobre produtividade não funcionaram para você?

Detesto a procrastinação. Ela sim, me paralisa. Preciso fazer, acabar logo, para me sentir livre, feliz, em paz. Por isso, tenho dificuldades de lidar com a preguiça. Por isso, também, trabalho mais do que quero e preciso.

Qual é o livro que mais mudou a sua vida e por quê? O que você considera inspirador ler ou aprender sem que lhe peçam ou esperem isso de você?

São tantos os livros que mudaram a minha vida em diferentes momentos dela. Adoro literatura. Adoro poesia. Adoro biografia. Mas acho que o livro que mudou a minha vida foi o meu, A vida sem crachá, porque depois que eu o fiz perdi a vergonha de me expor e me arriscar.

Que conselho você queria ter ouvido aos vinte anos? Com o que você sabe hoje, se tivesse que começar novamente, o que você faria de diferente?

Acho que gostaria de ter ouvido que eu poderia encarar a vida de modo mais leve e relaxado e aproveitar mais as situações espetaculares que vivi. Mas confesso que tive grandes mestres e ouvi muitos conselhos fundamentais. Não sei o que faria diferente. Fui muito feliz a vida toda e mesmo os momentos de dor e sofrimento foram muito importantes para eu chegar até aqui. Não abro mão deles. Talvez eu apenas teria relaxado um pouco mais e evitado algumas crises lombares.

Que projeto você gostaria de fazer, mas ainda não começou? Que livro você gostaria de ler e ele ainda não existe?

O meu projeto para 2020 será um sabático/volta ao mundo. Não chego a contar os dias, mas ficarei feliz quando a data chegar. Sobre livros, gostaria de ter mais tempo para ler muitos que ainda não consegui ler.

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