A alegria de ser o Inocente

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Hoje acabou oficialmente o meu verão. Voltei à minha casa de São Paulo e retorno à ponte-aérea Sampa-Aremba, a vida que escolhi para mim e para os meus. Hoje é dia de pagar as contas atrasadas. Arrumar os papéis. Planejar os próximos meses. Estabelecer as metas. Se inscrever nos cursos. Fazer as contas de 2016. Fazer a avaliação do melhor verão de nossas vidas. Hora de voltar a estudar e a escrever.

Estou empacada. Só vou conseguir seguir em frente depois de cuspir este post. Faz dois dias que eu o escrevo e rescrevo mentalmente. Só vou sossegar depois de apertar o botão “publicar”.

Trata-se da minha homenagem tardia ao arquétipo do Inocente. Trata-se da minha assunção, da minha redenção a este modelo que define minha alma, que traduz meu jeito de ser e que por anos à fio mantive guardado, escondido dentro do armário, como se fosse um desvio, uma fraqueza, uma veleidade.

Vamos explicar.

Na vida, em geral, e no mundo corporativo, em particular, assumimos comportamentos e posturas. Alguns são absolutamente legítimos e naturais. Outros são forjados à ferro e fogo, porque são necessários segundo os padrões de comportamento vigentes nas companhias. Assim, segundo algumas cartilhas, quem é líder tem de ser corajoso, ousado, crítico, inteligente, poderoso. Certo? Eu achava que sim e me esforçava para sê-lo. Me esforcei tanto que achei que enganava todo mundo. Nos testes, dinâmicas e coaches aparecia como “trator”, “fodástica”, “pitbull”, “touro indomável”. Sentia certo orgulho. Sentia desconforto. Na hora H, não era eu. Na hora H, tinha que fazer um esforço hercúleo para produzir a maldade e a pressão que esperavam de mim. Amigos queridos dizem que não era boa intérprete. Duplamente tola.

Os anos passaram. Não fiz mais coach. Deixei a análise, mas continuei refletindo e pensando em mim e no meu lugar nesta estrada sem porteira. E não é que neste final de semana, o último do melhor verão da minha nova vida, tive um insight-revelação após uma conversa, literalmente, ao pé do bar e depois de fazer um teste comportamental que circula no Facebook.

Eureka. Bingo. Porra, por que demorei tanto tempo?

Na conversa ao pé do bar, descobri que sou crédula até a medula. Que tenho fé. Que apesar dos fatos, sempre acho que a má conduta poderia ter uma justificativa nobre.

Na conversa ao pé do bar, me espantei ao descobrir características e comportamentos repulsivos em pessoas que julgava justas, leais, honestas e amigas. A conversa, curiosamente, foi elucidativa, surpreendente e sem sofrimento. Entendi, intuitivamente, porque fazia tanto tempo que não cruzava com aqueles personagens pelo caminho. Porque eu sempre adiava o telefonema para marcar um café. Santa procrastinação.

Mudando de cenário e continuando no assunto, no FB, tive a felicidade de clicar em um post da minha amiga Vera Lígia. Ela compartilhou um teste  bacana baseado no livro “O herói e o fora-da-lei. Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos” das autoras Margaret Mark e Carol Pearson. O exercício de múltipla escolha veio à tona, suponho, por conta da declaração do Marcelo Odebrecht, que se definiu como o “bobo da corte” na miséria do Petrolão. Fiz o teste como quem se confessa com Deus. Não fiz finta. Dei adeus aos fingimentos. Não coloquei banca. Fui honesta como quem faz uma delação premiada consigo mesmo.

Eureka. Bingo. Porra, por que demorei tanto tempo?

O resultado do teste vocês já sabem. Apareceu ali, em letras garrafais, que faço parte do time dos Inocentes. Eu? Eu? Eu? Sim. Com um indescritível e absoluto orgulho, agora que posso ser quem sou, porque sou livre, livre.

Quem é o Inocente?

Segundo Margaret e Carol quando o “Inocente”está ativo em uma pessoa, ela é atraída para a certeza, para ideias positivas e esperançosas, para imagens simples e nostálgicas, para  a promessa de resgate e redenção. O inocente é um otimista, que busca o paraíso, que deseja a Pasárgada. Este arquétipo gosta de coisas previsíveis e não gosta muito do baile da mudança. Por isso, ele é leal às marcas, organizações e pessoas que cumprem suas promessas e se baseiam em valores perenes e duradouros. O inocente luta pelo bem. Não sabe viver sem uma causa. Adora carregar bandeiras. Participar de grandes marchas. É o tipo que sobe feliz ao Everest para buscar algo importante que foi lá esquecido pelo líder que ele tanto admira.

O Inocente, vejam que legal, é capaz de abandonar uma cultura de alta pressão, focada no sucesso, para perseguir a alegria de uma vida simples. Sim, sim, sim!!!! Como Narciso, fui me apaixonando pelo cara e lendo, lendo, lendo…

O lema do Inocente é básico: “somos livres para ser você e eu”. Objetivo: ser feliz, seja lá o que isso seja. Maior medo? Ser punido por ter feito algo de ruim ou errado. Caramba! Como elas sabem tudo isso sobre mim? Estratégia? Fazer as coisas certas para não tomar bronca porque deu ruim. Tão óbvio…Franqueza do inocente? Ficar chato por toda a sua inocência ingênua neste mundo cheio de maldosos, maldades e sacanices e safadices. Quando li isso, confesso, corei. Odeio chatice. Prometo ser mázinha, de vez em quando.

Qual é o maior talento do Inocente? Fé e otimismo. Por tudo isso, o Inocente também é conhecido como utópico, tradicionalista, ingênuo, místico, santo, romântico e sonhador. Segura, que é tua. E para a confissão ser completa, vou contar que o Inocente, na literatura, segundo a análise dos arquétipos, é identificado com o personagem do Pequeno Príncipe, aquele das misses, que afirma que somos responsáveis pelo que cativamos. Quer saber? Dou fé e subscrevo.

Feliz 2017 para mim e para todos nós. E vamos cuidar de estudar novos planos B para os próximos 30 anos. Sou Inocente, mas não sou boba.

 

 

 

 

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4 comentários sobre “A alegria de ser o Inocente

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