Um plano B para chegar aos 70

Tenho o defeito de pensar demais. A cabeça para pouco. Está sempre pensando. No banho, na piscina, no mar, enquanto pedalo, enquanto dirijo o carro. Basta estar só e lá estou eu no gerúndio: refletindo,  planejando e “euloucubrando” (um jeito doce de assumir a loucura mansa). Dessa vez a reflexão surgiu durante uma leitura. Anos 70. Enquanto corria a barca, da jornalista Lucy Dias. Cheguei no livro porque estou estudando a contracultura, especialmente no Brasil, especialmente nos anos 70, especialmente em Arembepe, na Bahia. O livro fala muito do mestre, guru e pesquisador e protagonista do assunto, Luiz Carlos Maciel, que foi dono e autor de uma coluna sobre o tema no jornal Pasquim, nos anos 70. Curiosa, fui ao google saber do Maciel. Wikipidia me contou que ele está vivíssimo, com 78 anos. Outro link, de 2015, me levou a uma reportagem do site GGN na qual o jornalista confessava estar sem trabalho, com a grana curta, muito disposto a prestar serviços naquilo que sabe e domina. “Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens… O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto? Luiz Carlos Maciel.”

Maciel tem um currículo extraordinário, uma história de vida espetacular e inúmeros amigos relevantes para a cultura e história do país. A necessidade de alguém como ele fazer um apelo deste gênero — que eu pessoalmente desconhecia — me fez mergulhar em um túnel reflexivo. Em qual página do nosso manual de instruções deveria estar escrito que precisamos de um plano B para encarar a vida pós-70 anos?  É piada, claro, porque Deus desistiu de escrever esse manual no sábado à noite e no domingo descansou. Na juventude, os baby boomers e filhos da geração X jamais sonharam com a hipótese de viver mais do que 70 anos com corpinho de 60 e cabeça de 30. Logo, ninguém pensou no assunto. Não tem manual, não tem receita e sobreviver depois dos 70 é um big deal para todos os que não estão na lista da Forbes.

Sim, estou falando de grana. O primeiro objetivo do plano B é ter dinheiro para viver com dignidade, considerando:

  1. a dificuldade de se aposentar na previdência pública no Brasil;
  2. a baixa adesão à previdência privada do time dos BB e X
  3. a baixa renda em tempos de crise
  4. a rara oportunidade de empregos

Não, não estou falando só de grana. Afinal, quem viveu 78 anos – e não precisa ser alguém com a biografia do Maciel – não quer só dinheiro, quer felicidade. Não quer só comida, quer bebida, diversão e balé. Como é que faz? Como é que se prepara? Como se equipa?  É possível transformar o eclipse no melhor instante da vida? É sensato sonhar com isso?

Eu não tenho as respostas ainda, mas uma rápida pesquisa no pai dos burros, dr. Google, garante que sim. Pesquisas de universidades de Estocolmo, Suécia, e Boston, nos Estados Unidos, repetem o óbvio, aquele senhor tão sábio e bonito. O segredo é fazer exercícios e ficar em forma, comer comida boa, beber sem pisar na jaca, ter muitos, muitos amigos para fazer companhia e farra e, principalmente, não perder o hábito de se sentir jovem.

Tudo muito bom, tudo muito bem e crível. Sim, acredito nisso. Mas como é que se faz? Como manter a fleuma e força de vontade? Como manter o desejo de seguir sempre em frente? Como vencer a preguiça? Como vencer o tédio? Como pensar em projetos para preencher as vontades, sonhos e necessidades? Como saber a hora de parar de trabalhar? O que fazer depois de parar de trabalhar? Como criar uma nova rotina? Como tornar esse pedaço da vida tão legal e divertido quanto os anteriores?

Se encontrar alguma resposta, juro compartilhar no próximo capítulo. Deixo vocês com a canção do Caetano, que odeia envelhecer, mas canta que o “homem é o rei dos animais”. Verdade, verdade.

 

 

 

 

 

 

 

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11 comentários sobre “Um plano B para chegar aos 70

  1. Claudia,

    Texto riquissimos em reflexões ….

    E agora , ainda estou buscando meu propósito , minha arte , me reinventando ao 46 anos.

    Tenho certeza de uma coisa : sem duvida exercicios fisicos e boa alimentação te levarão longe!

    Sucesso sempre!

    *Olívia Hansen* *(19) 99669 2888* *(92) 98207 8888*

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  2. E Claudia enfim chegou o meu dia d ser demitida. Trabalhei em um banco 19 anos, fiz de td com mta integridade, mas o ciclo fechou. Confesso q o seu livro me ajudou mto, ainda bem q li algum tempo. Estou em fase d adaptacao e criacao da nova vida, aliviada. Na torcida p o plano B. Depois conto detalhes. Bjs n coracao.

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    1. Janaina, bom dia. Lamento muito pelo fim do seu ciclo, mas desejo que a adaptação à nova vida seja breve e feliz. Desejo também que você tenha muito prazer com o seu plano B. E, sim, por favor, me conte. Beijo enorme e muita paz no coração

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  3. Claudia, trabalhei por 36 anos na mesma empresa que você e também tomei um pé na bunda aos 59 anos. Trabalhei 47 dos meus 64. Muitos diriam: “Já era tempo de parar né ?” Eu digo:” Não !!!”
    Não acostumo com serviço doméstico apesar de, me sentir extremamente culpada por deixar meus filhos pequenos com empregados, deixar de levá-los ao médico durante o expediente para não faltar ao trabalho e não ir a médicos pelo mesmo motivo. Não adianta. Faço por obrigação mas não tem prazer. Mas fazer o que diante da crise atual que não tem nem emprego para jovens vai ter pra idoso ? Sofro de tristeza de vê-los sem emprego! Sei também que há pessoas passando perrengues muito piores que o meu. isto é triste ! Jovens senhoras(es) desempregados sem tempo para se aposentar e com filhos em idade escolar ou vestibulando ! isto é triste. Então penso nesta lei da compensação. E isto também é triste ! O jeito é exercitarmos nossa paciência, resiliência e ir tocando a vida. Boa sorte pra você !

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    1. Obrigada, Rosa Maria por sua mensagem. Sim, a situação não está nada fácil para ninguém. Por isso, não me canso de fazer planos para o futuro para tentar tornar os meus próximos anos de vida mais saudáveis, mais sustentáveis, mais prazeirosos. Isso vale a pena. grande abraço e felicidade

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