2017. O que eu quero? Menos, por favor

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Adoro procurar músicas irmãs. Gêmeas ou antônimas. A diversão é vê-las conversando em acordos sonantes e dissonantes. A brincadeira do dia é Epitáfio, dos Titãs, versus Je ne regrette riens, na voz de Cássia Eller. Um diz que deveria ter complicado menos, trabalhado menos, se importado menos com problemas pequenos e deveria ter morrido de amor. O outro canta que não, não se arrepende de nada. Absolutamente nada. Nem o bem, nem o mal que me fizeram. É tudo igual. Me arrependo de algumas coisas. Talvez porque prefiro mudar sempre, a tempo e a hora, antes que o meu desejo se torne um epitáfio. Nem Titãs, nem Edite Piaf. Quem sabe Rita Lee, com Baila Comigo, como se baila na tribo. O baile da mudança permanente.

O meu ano termina bem. Talvez porque ele não seja líquido, nem moderno nem digital. Meu mundo é concreto, como pedra. Duro. Persistente. Um dia após o outro, das 6 da matina até a última alma notívaga. Estou feliz. Fiz novos amigos. Fiquei com os meus queridos o máximo que pude. Não adoeci. Paguei minhas contas. Abri negócio novo que vai bem. É mais do que suficiente, satisfatório, incrível e extraordinário. Nem é justo mandar cartinha para o Papai Noel. Farei apenas a lista de desejos para o Senhor do Tempo de 2017.

O que eu quero? Aprender. Vale curso presencial. Curso à distância. Supletivo do primeiro grau. Telecurso. Mobral. Quais as matérias?

– aprender a dizer não

– aprender a trabalhar menos

– aprender a sofrer menos

– aprender a me importar menos

– aprender a viver com ainda menos

– aprender a ser menos

Menos fome, menos dieta, menos loucura, menos obrigações, menos irritações, menos palavrões, menos velocidade, menos intensidade, menos sofreguidão, menos arrumação, menos embromação, menos atitude, menos foco, menos pressa, menos angústia, menos razão, menos violência, menos preocupação, menos palpitação.

Menos. Preciso de menos.

Menos desejo. Menos ansiedade. Menos verdade.

Menos texto. Menos palavras.

Menos tudo. Tudo é muito. Menos, apenas.

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6 comentários sobre “2017. O que eu quero? Menos, por favor

  1. Depois dá morte do meu filho há 1 ano, descobri exatamente isso: quero menos! Ele só tinha 21 anos e não adiantou correr… Obrigada pelas palavras!
    Que venha 2017!

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  2. É o que desejo Cláudia, depois que vemos uma pessoa saudável e que amamos postergar sua vida por um acaso da vida, prefiro chamar assim; Depois de meses sem crachá e contas pra pagar. Eu preciso de menos angústia, tristeza, incerteza, correria e ansiedade.
    Abraços

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