A carne louca da Villar é de enlouquecer

 

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Eliana e meu filho, Chico, em abril deste ano, no lançamento da Carne Louca da Villar

 

“Hoje tem carne louca da Villar.”

Essa frase era sussurrada como um segredo valioso nos corredores da empresa. Quem contava sorria. Quem ouvia, sorria também. Era a senha que garantia que o final de tarde seria saboroso e alegre. Foi no início do século XXI que eu ouvi o alerta pela primeira vez.

Foi no começo do século XXI que conheci Eliana Villar, a chef criadora da carne louca mais gostosa que já comi. À época Villar era produtora free-lancer de um evento batizado de “Tempo de Fazer” organizado por uma de publicações dedicada à artesanato, corte  e costura, bordado e outras “manualidades”. Competente, eficiente, dedicada e guerreira, não demorou para ser contratada e ostentar, com orgulho, um crachá. Os colegas, claro, aplaudiram. Eliana adorava agradar a turma trazendo sua carne louca nas festas de aniversário do departamento.

Há dez anos, começamos a trabalhar na mesma área e ficamos amigas. Portanto, deixo claro que este texto não é imparcial e está impregnado de carinho, respeito e muito querer bem. Garanto, no entanto, que a história é boa e deliciosa.

Enquanto comandava um time craque na produção de grandes eventos – camarotes, prêmios, festas de Réveillon, exposições etc – Villar começou a cozinhar para fora. Era um jeito prático de ganhar um a mais para ajudar nas contas, trocar de carro, financiar a tão sonhada casa própria. Sim, já disse que Villar é guerreira. Se o tempo está ruim, ela dá um jeito de fazer ficar bom. O sucesso das quentinhas com carne louca foi imediato. Vários colegas de empresa faziam encomendas gordas para o final de semana. Acendia ali uma luz. Eureka.

Sempre que a vida corporativa ficava dura, que o troca-troca de chefes tornava a rotina mais complicada, falávamos de ter um plano B. Eu já sonhava com minha pousada. Villar dizia que compraria uma kombi para vender sua carne louca na esquina. Sonhávamos acordadas, mas o prazer de trabalhar e o orgulho de carregar o crachá que tínhamos não nos deixava tirar o pé do chão.

Inaugurei minha pousada em 2012. Fui demitida em 2014 e comecei a viver minha vida sem crachá. Eliana Villar sobreviveu ao passaralho dos chefes. Seguiu na firma e no comércio paralelo da carne louca. Até que uma pedra cruzou o seu caminho. Pedra do tipo pedregulho, insignificante, mas que incomoda o pé. O pedregulho, apesar do tamanho mínimo, mandava na escalação do time. Villar dançou no final de 2015. A hora da guerreira virar empreendedora estava chegando.

Dona de um networking fabuloso, conhecera e acompanhara por causa do trabalho a chegada no Brasil da onda dos food trucks. No lugar de kombi, por que não um tuk tuk? Em sociedade com seu marido, o fotógrafo Fábio Duque, investiu em um charmoso equipamento para vender sua imbatível carne louca. Em 16 de abril deste ano, inaugurou o novo negócio cercada de amigos queridos. Sucesso absoluto. (Veja as fotos

Desde então, ela e Fábio estão em todos os lugares da capital paulistana. Shopping Center na zona leste, museu da Casa Brasileira, no Jardim Europa, porta de empresa, inclusive na ex-empresa, desfile do São Paulo Fashion Week, na pista do Design Weekend no Jockey Clube. Um luxo. Uma ralação absurda. Um resultado recompensador.

No último domingo Eliana me mandou uma mensagem de voz.

— “Clau, arrebentamos no DW neste final de semana. Decidi comprar quatro garrafas de prosecco, doze taças de acrílico e vender a bebida junto com a carne louca. Sabe o que aconteceu? Vendi tudo e tive que comprar mais quatro garrafas. Cobrei 15 reais a taça. Uma loucura.”

— “Que bacana, Villar.” Eu respondi também em mensagem de voz e não esperava ouvir o que ouvi.

–“Clau, tive a ideia de vender prosecco inspirada na história do menino João do seu livro, A Vida Sem Crachá. Lembra? Ele aproveitou um congestionamento para vender água? Aproveitei o público classe AAA para vender uma bebida quase tão cara quanto o meu lance. Estou muito feliz.”

Eu também estou feliz por você, Eliana Villar. E tenho certeza que o menino João ficaria muito orgulhoso por ter inspirado o seu sucesso. E para você que está com água na boca, louco para comer a carne louca da Villar, basta segui-la para descobrir onde você encontra a delícia.

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20 comentários sobre “A carne louca da Villar é de enlouquecer

  1. Villar, está linda sua tuk tuk de carne louca! Parabéns! Deu saudade dessa delícia só de ler o texto maravilhoso da Giudice. Merece ainda mais sucesso!!! Viva!

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  2. A carne louca da Vilar é mesmo uma loucura!
    Deve ser porque ela coloca paixão em tudo que faz, deve ser não, com certeza é! O menino João não tem ideia de quanto nos ajudou com seu trabalho.

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  3. Gente? Acabei de ler seu texto, Fiquei emocionada e sinceramente me senti inspirada.
    Acho Q conheci a Vilar, em fortaleza, na produção do camarote da empresa Q ela trabalhou, dentro do evento de Reveillon, Q eu faço a produção.
    Fiquei feliz em ter notícias dela.
    Que lindo texto!

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  4. A Villar é um exemplo de determinação , simpatia, carisma , e competência !!!! A carne louca dela é um espelho de sua personalidade: marcante , deliciosa e louca … Como todos deveríamos ser !!! Sucesso e felicidades e o meu desejo sempre de ❤️ para esta guerreira !!!!!

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  5. Pronto! Já curti a página da Villar no Facebook! Agora tenho que esperar ela estar próxima dos meus caminhos, para que eu possa experimentar a delícia da carne louca!
    Claudia, eu adoro seus textos! E já resolvi que tão logo for possível, vou passar uns dias na sua pousada, quando espero poder te conhecer pessoalmente.

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  6. Sem duvida a Carne Louca não poderia ficar só ali dentro dos quatros pilares daquele prédio, o sabor deve ser compartilhado e degustado por outras pessoas que apreciam gastronomia Villar $U$$EÇO e a você Claudia Obrigado pela história me fez voltar ao tempo .
    abraços

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