Mudança de hábito

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A vida sem crachá é a que eu tenho. Tive a oportunidade de vivê-la e depois escolhê-la. Foi uma mudança de hábito digna de comercial de pasta de dente no século passado. Mudou tudo. Horários. Dinheiros. Residência. Compromissos. Trabalhos. Pessoas.

Ganhei e perdi. Perdi e ganhei. Outro dia, fazendo uma aula de tênis, me dei conta do tamanho da transformação. Entrei na quadra e me desencontrei. Fazia duas semanas que não comparecia. Fazia duas semanas que não treinava. Levei 20 minutos para entender a amnésia. Parei a aula. Chamei o técnico e falei:

“Fernando, vamos começar de novo. Estou perdida. Esqueci como se faz”

Ele, paciente, reiniciou no modo zero, tipo “The Book is on The table”. Lentamente fui recuperando os movimentos. Acertando os tempos. Enxergando a bola.

A aula foi uma lição de vida. Mudar de vida é bom. Mudar de hábito também. Não ter novos hábitos é ruim. A gente fica mole. Flácido. Perdido. Sem rumo. Sem ritmo. Sem destino. É a ideia não era essa, certo?

Entender esse processo foi bom. Ajudou a organizar o pensamento e a montar uma plano de ação. Adotei a velha e boa lista de tarefas. Fiz um compromisso de metas pessoais, do tipo jogar mais tênis, fazer exercício diariamente, beber menos vinho, ler mais, escrever mais, terminar o roteiro do filme, fazer curso de fotografia, encontrar mais os amigos, dormir melhor e dar mais beijos nos meus pais e nos meu filho.

Está funcionando. O jogo de tênis também melhorou.

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14 comentários sobre “Mudança de hábito

  1. Olá Claudia, Gosto muito dos seus textos….tenho lido e tem me ajudado bastante,,,estou passando por uma nova fase em minha vida e me identifico muito com o que você escreve: me aposentei há um ano atrás, após 39anos, 9 meses e 20 dias de trabalho… e mesmo após todo este tempo, sempre fui muito apaixonada pelo meu trabalho e principalmente do lidar com as pessoas…quando todos os gerentes da minha área (maioria homens) reclamavam da atividade e do lidar com as pessoas, sempre pensei: é o que mais gosto…reconheço ser bem desgastante, mas é o que mais gostava….Enfim….obrigado pelos textos….Abraços, Ana Cristina Cardozo

    Date: Thu, 16 Jun 2016 00:07:58 +0000 To: donanadias@hotmail.com

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  2. Suas histórias são deliciosas!
    E, neste momento da minha vida – também sem crachá – , suas histórias são inspiradoras.
    A minha fase sem crachá é provisória, mesmo porque, amo minha profissão, meu trabalho, e tudo o mais que envolve o tema, e ainda não consigo pensar em parar. Mas, um dia pretendo fazê-lo.
    Contudo, nesses pouco mais de dois meses sem crachá, tenho aprendido tanto, recuperado momentos perdidos nos últimos anos, pessoas que estavam distantes, eu trouxe para mais perto, e, acredite, tenho a sensação que até a luz do sol está mais bonita, talvez pelo fato de que agora eu a vejo da minha varanda, e não da janela do escritório.
    Mas, como disse essa fase é provisória. Porém, serão definitivas todas as mudanças que a fase sem crachá trouxe, e estão sendo muitas. Inúmeros novos hábitos e atitudes.

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