“Toda mãe merece sucesso, diversão, romance e oito horas de sono”

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Daniela Folloni é jornalista, das boas. Sua especialidade é o jornalismo de serviços, tão complexo e difícil de fazer quanto o jornalismo econômico ou político. A escola dela foram as revistas, que até o início do século XXI eram o reinado desse tipo de conteúdo dirigido e segmentado. Dani, que estudou jornalismo na Faculdade Casper Líbero e administração de empresas na PUC-SP, era uma repórter diferente. Tinha metas profissionais  e o sonho de um dia empreender. No projeto de construção de carreira, trabalhou por dez anos na revista Nova (atual Cosmopolitan), à época a segunda maior publicação feminina do país. “O meu projeto era dirigir uma revista. Nunca estava satisfeita. Queria sempre mais. Durante os anos em que trabalhei na editora Abril, ficava procurando coisas novas para fazer”, conta a jornalista.

Em meio a essa busca por reconhecimento e novos desafios, Dani engravidou da primeira filha Isabela. Na seqüência, já mãe de Felipe, seu segundo filho, foi transferida para a revista Claudia, a maior publicação feminina do país. Lá vislumbrou a chance de realizar seu sonho quando “ganhou” de presente a revista Claudia Bebê, um filho da revista-mãe, para editar. Ela ainda não sabia, mas foi mesmo um gigantesco presente do destino. Envolvida com os filhos e as reportagens da nova revista, Dani percebeu que existia uma oportunidade de negócio quicando no seu caminho. Havia uma enorme demanda por conteúdo dirigido para mães. “Fiquei toda animada e apresentei um projeto de site para a editora. A proposta era ensinar a nova mãe a cuidar dela mesma, já que tudo que havia estava dirigido aos filhos”, relembra a jornalista.

A empresa não se interessou pelo projeto. Dani se desinteressou pela empresa. Em outubro de 2011, sentou com o marido, fez contas, desenhou um novo projeto de vida e decidiu pedir demissão para investir no site que havia desenhado. Em dezembro de 2011, estava fora da editora. Com um designer e parceiros dos tempos da faculdade, começou a trabalhar no projeto do It Mãe (www.itmae.com.br), um site dirigido para mães de primeira, segunda e muitas viagens. “A nossa crença é que toda mãe merece sucesso, diversão, romance e oito horas de sono. O site traz conteúdo para permitir que isso tudo seja possível”, diz Dani, que no início se dividia entre o site, frilas e o trabalho de ghost writer para se bancar, contando sempre com o apoio moral e financeiro do Rodrigo, o marido. “Posso dizer que ele foi o meu anjo investidor”.

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O primeiro ano foi de semeadura. Lançou o site e começou a fazer os primeiros contatos para buscar parceiros e patrocinadores. A Natura, marca que conhecia o trabalho de Dani dos tempos da grande imprensa, foi a primeira a aderir. Em 2013, segundo ano do negócio, já com cara e público, o site começou a crescer a despeito de Dani ter dois filhos pequenos para cuidar e estar sem babá e sem empregada.

Abro aqui um parágrafo para dar um depoimento e fazer um agradecimento. O site tem qualidade, credibilidade e um espetacular SEO (otimização de mecanismos de busca). Escrevo isso de boca cheia. Graças à Dani, conquistei um público fiel de mães e pais de filhos pequenos para a minha pousada, A Capela. Em janeiro de 2013, ela foi minha hóspede. Estávamos frágeis como um recém-nascido, em nosso primeiro mês de operação. Ela, no entanto, gostou e publicou um texto falando que a pousada era legal para famílias. Bingo. Nunca mais parei de receber baixinhos. Até hoje é comum ouvir: “Li sobre sua pousada no blog It Mãe”.

Com custos baixos, muito trabalho e uma visão de negócio original, Dani foi crescendo, crescendo e crescendo. Hoje tem uma marca forte que pode ser definida como multiplataforma. O It Mãe começou como um site simples. Ganhou corpo, colunistas de prestígio, um guia de serviços, que traz uma boa receita publicitária, e canais. Tem 170 mil unique visitors mês e 500 mil page views. Para tocá-lo, a jornalista conta com um pequeno time de repórter, designer e programador. Mão na massa e mãos à obra, Dani faz de tudo. Inclusive prospectar clientes e novos negócios. Foi assim que nasceram as extensões de marca, como o canal de TV It Mãe com entrevistas hospedado no Youtube, os cursos online pagos, que trazem uma nova fonte de receita e contam com a parceira do portal UOL. Mais? Sim, o It Mãe lançou livros e até já fez uma ação de marketing e conteúdo para a incorporadora Gafisa. “Montamos uma ação em um stand de vendas de um empreendimento dirigido para famílias”.

Cinco anos depois de pedir as contas e abraçar o risco de fazer jornalismo sem um império de comunicação lhe suportando, Dani sorri quando faz o balanço de sua ousadia.  “Da minha geração sobrou muito pouca gente trabalhando nas revistas. Se tivesse ficado lá, provavelmente, teria sido demitida numa das muitas levas de corte”, analisa. Na balança pesa, mais do que ganhar como se tivesse um emprego de diretora de redação dos áureos tempos, é o fato de ter podido fazer essa travessia estando perto dos filhos, Isabela e Felipe, e tendo construído uma marca que é dela, só dela. “Pedir demissão foi a melhor coisa que fiz”, resume Dani. O que ela faria diferente? “Muita coisa. A primeira seria ter feito um plano de negócio desde o começo do site. “Demorei para ganhar dinheiro porque não sabia vender e não atinei que precisava construir várias parcerias.”

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Correções e ajustes à parte, a jornalista de 39 anos é um exemplo de sucesso nesta profissão até pouco tempo predestinada a ter patrão e carteira assinada. No próximo dia 14, ela e seu It Mãe conecta estarão à frente do Fórum Mães e o Sucesso, para falar de carreira, maternidade e negócios para mães. No anúncio de divulgação, tem duas fileiras de patrocinadores e apoiadores. “Acho que meu maior gol foi ter conseguido o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Tenho horário, tempo, vida privada e ainda ajudo outras mulheres a fazer o mesmo. Isso me deixa muito feliz”. Pode crer, trabalhando duro, há luz no final do túnel.

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10 comentários sobre ““Toda mãe merece sucesso, diversão, romance e oito horas de sono”

  1. Com suporte financeiro do marido é fácil. Eu fiz a mesma coisa e sem esse suporte. E quando vejo a frase “estava com filhos, sem babá e empregada” fico pensando para que serve homem? Só para fazer filhos e dar suporte financeiro? Cadê ele para fazer a parte dele na criação dos filhos e cuidados com a casa. Afinal 50% das tarefas domésticas e com crianças é responsabilidade dele

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    1. Karla, obrigada por sua mensagem. Eu acho que o meu texto não foi suficientemente claro. O marido da empresária não a patrocinou, mas lhe deu apoio e suporte durante o processo de criação do site. Isso não significa que seja fácil empreender. Se você assim conseguiu, parabéns. É duplamente bem-sucedida. Quanto ao seu comentário sobre a divisão de tarefas, em momento algum escrevi que ela cuidava dos filhos e das tarefas domésticas sozinha. Você está fazendo uma dedução e a partir dela uma crítica que pode não estar correta.
      Desculpe-me pela falta de clareza da reportagem e por não ter me aprofundado nesta questão da divisão de tarefas.

      um abraço

      claudia giudice

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  2. Claudia, muito boa a história vencedora de mais esta empreendedora, no caso a Daniela. Vejo que existem duas maneiras de empreender. Uma é quando a pessoa é desligada da empresa e aproveita os recursos que tem para colocar ideias do papel a prática, como seu caso e o meu. E a outra foi como a Daniela fez. Foi crescendo a ideia quando ainda com crachá e depois que o sucesso era iminente, largou tudo para se dedicar ao novo empreendimento. Parabéns a todos os empreendedores, nosso país precisa de mais empreendedores. abraços.

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  3. Acredito que muitas e muitas mães sonham em poder trabalhar e ter um horário flexível para cuidar dos filhos. Meu filho completará um ano mês que vem e eu estou desemprega e dependente do meu marido. Me sinto frustrada. Insegura e com medo de voltar a trabalhar e deixar meu filho o dia todo em uma creche. Fico admirada com a Garra de mulheres como a Dani, mas reforço, é preciso ter um marido que apoie para fazer dar certo. Sinto falta deste apoio por parte do meu marido. Desculpe, fiz do meu comentário um desabafo pessoal, mas deixo registrado meus parabéns pelo texto e para a Dani, mulher de garra! Bjs

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    1. Natalia, obrigada por sua mensagem. Não há nenhum problema em fazer do comentário um desabafo pessoal. A ideia é essa mesmo. Trocar entre as pessoas. Não se sinta frustrada nem insegura. Se está com vontade de voltar a trabalhar, vá a luta. Você pode começar algo meio período ou mesmo em casa. Pense nisso. Se tiver interesse, tem um grupo chamado Co.madres (no facebook) que reúne mulheres com filhos em diferentes situações de recomeço e trabalho. Pode ser inspirador. um grande beijo

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  4. É sempre bom ouvir histórias de mulheres, em especial mães que escolheram fazer diferente! Foram autênticas para criar uma vida original. Nossos filhos nos modelam o tempo todo, ensinar que eles podem ser pessoas independentes, autênticas com vontades próprias para terem uma vida que faça sentido com o que eles carregam dentro de si é um baita legado. É contribuir para construção de uma nova sociedade, que pensa fora da caixa, mas a partir de si mesma.
    Eu fiz o mesmo movimento que a Dani, criei um projeto que chama Virando a Chave, que fala não apenas das mudanças práticas que vem com a maternidade, mas em especial da oportunidade gigante de se reconectar, entrar em harmonia com a própria hiatória e repensar completamente a educação dos nossos filhos.
    Sei as dores e delícias de fazer essa troca, assumir a própria vida, criar um modelo de trabalho. Não é nada fácil, tenho 2 filhas pequenas e ainda estou bem longe das 8h de sono…. Rs… mas o importante é seguir em frente, afastar pensamentos boicotadores, e focar na missão, que é maior, é propósito de vida!
    Um grande abraço!

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