Um plano B (e uma nova profissão) do fundo da caixa de brinquedos

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De onde brota um plano B? Como se começa uma nova profissão? O que fazer quando descobrimos que atividade profissional que temos entra em crise, desaparece ou descobrimos que não mais gostamos dela? A inspiração, a ideia e o desejo podem vir de muitos lugares. Pode ser fruto de um coach, de uma conversa, de um convite inusitado, de uma pesquisa ardorosa e profunda e, porque não, de uma atividade paralela nascida da caixa de brinquedos. Começa assim a história do paulista Guido Fenocchi Guedes, dono do atelier e showroom de marcenaria que leva seu nome e funciona desde 2012 na cidade de Itu, no interior de São Paulo.

Menino criado no ABC paulista, ele ganhou aos dois anos de idade do avô Erio, italiano e marceneiro, uma caixa de ferramentas para brincar com de marcenaria. “Era um dos meus passatempos preferidos. Eu adorava criar pequenos objetos em madeira.”. Guido cresceu. Estudou administração de empresas e começou a trabalhar na empresa de ônibus de fretamento da família. Mudou-se para Itu, se casou e por 10 anos foi gestor de um negócio familiar. Estava bem. Nos finais de semana, seguia brincando de fazer móveis na garagem da casa dos pais, um casal de psicólogos.

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Em dezembro de 2012, a empresa de fretamento foi vendida para um grupo maior. O ótimo negócio provocou uma revolução na vida de Guido. Ao sair do emprego, parou para pensar na vida. A mulher, Michele, advogada, estava grávida do primeiro filho do casal. O que fazer? Por onde começar? Deveria buscar um novo crachá? Abrir um negócio próprio? Enquanto pensava, Guido decidiu fazer o berço e a cômoda do quarto do filho, Guilherme, que estava a caminho. “Fiz as peças em imbuia. Ficaram lindas”, lembra o administrador, que começou a receber uma série de pedidos de parentes e amigos. “Confesso que fiquei muito feliz com o resultado e com a aprovação das pessoas. Recebi muito apoio também da minha família”.

O parto do plano B de Guido aconteceu de verdade quando um parente fez uma encomenda grande e desafiadora para o administrador-marceneiro. “Era uma obra enorme, que eu não poderia fazer sozinho. Discuti muito o assunto com a minha mulher, fiz contas e decidi encarar o desafio do projeto e de fazer do meu hobby profissão. Aluguei um espaço, contratei um carpinteiro para me dar suporte e fui à luta. Deu certo”, conta, muito feliz e realizado.

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Com a decisão tomada e a gaveta de pedidos ficando cheia, Guido tratou de estudar e se aperfeiçoar. Aprendeu a trabalhar com Autocad, fez curso de design de móveis, aprimorou a técnica para lidar com a madeira e quando sentiu que estava maduro, alugou um espaço próprio para trabalhar e comprou equipamentos. “Dei um passo de cada vez, com muita tranquilidade e segurança. Acho que o fato de ser administrador e Controller fez muita diferença”, analisa Guido, que elaborou um plano de negócio e em breve terá CNPJ. Os seus móveis têm preços que variam de 200 a 6 mil reais e ele trabalha muito por encomenda. Vive muito bem.

Feliz com a escolha e a nova profissão, o ex-executivo pode se orgulhar de ter feito a passagem sem dilapidar o patrimônio da família. Quando deixou a empresa de ônibus, tinha dinheiro para um ano de sabático. De cara, decidiu economizar. Nos primeiros doze meses, gastou 50% do planejado. No segundo ano, atingiu o break even na marcenaria (o que ganhou foi suficiente para pagar as contas). No terceiro, pagou as contas e sobrou. O ano de 2016 é o momento de investir e expandir. Criou o site www.guidoguedes.com.br e pretende começar a divulgar o próprio trabalho para além do círculo de parentes, amigos e amigos de amigos. O atelier/empresa continua sendo um negócio de um funcionário único. “Quando é necessário, contrato profissionais por empreitada. Não quero perder o foco nem a característica autoral do meu trabalho”, explica Guido, que fez questão de fazer também com as próprias mãos o berço e a cômoda do segundo filho, Rafael. “A obrigação de um marceneiro é dar uma segunda vida para a madeira. Se ela vive 100 anos como árvore, desejo que ela respire outros 100, 150 na forma de móvel. Essa é a minha missão e o meu grande prazer.”

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18 comentários sobre “Um plano B (e uma nova profissão) do fundo da caixa de brinquedos

  1. Que texto icentivador, também estou buscando meu espaço como empreendedora no ramo de massas congeladas delivery e eventos a OFICINA DA PASTA, e ler esses exemplos Dá um gás e nos faz perceber que estamos no caminho certo.

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  2. Tive o prazer de conhecer alguns trabalhos do Guido. Fiquei impressionado com a fineza de detalhes e bom gosto na ordenação com que ele magistralmente lida com a madeira mais nobre que temos. O que mais ma chamou a atenção foi a junção de diversos tipos e cores da madeira que ele une de forma espetacular. Realmente é um artista.

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  3. Que linda história, conheci Guido ainda bem jovem, logo que mudou-se para Itu, e sempre se mostrou um batalhador, sempre humilde, disposto a aprender de tudo um pouco, e exemplos não lhe faltaram pois tem ao seu lado uma família maravilhosa. Parabéns Claudia pela matéria, sua sensibilidade foi ímpar em nos contar história tão enriquecedora. Parabéns Guido pela linda história de vida e pelas grandes escolhas que fez, que Deus continue abençoando a sua vida e essa nova fase. Sucesso!

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