Plano B inspirado pela paixão e pelo Paulinho da Viola

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Paulinho visita o La Officina para conferir o restauro do seu amado Karmann Ghia

 

O dia A chega e a pessoa se aposenta. O dia B chega e a pessoa diz, basta. O dia D chega e a pessoa é demitida. Nas três situações, quem não tem plano B, pergunta: “como faço um?” A resposta não é simples, nem fácil, nem se encontra pronta nos livros, nos blogs ou no Google. Criar um plano B exige desejo, sonho, ambição, paixão e necessidade. Existem muitos começos. O que eu mais gosto é aquele inspirado pelo amor, pela paixão ou por ambos. A história de hoje começa assim.

 

Paulo Borges, empresário bem sucedido na área de marketing e comunicação, era louco, doente, apaixonado por carros antigos, em especial Karmann Ghia (ele tem nove bólidos da marca). Para reformar e manter a frota dele nos trinques, fez as contas e descobriu que era mais barato ter a sua própria oficina. Arrumou um lugar na Penha, zona leste de São Paulo, contratou três funcionários e começou a se dedicar ao hobby.

Ele não é magnata, mas como empresário, sócio de duas empresas, podia dar-se a esse luxo. Trabalhava como um cão. É sócio-diretor da Radio VIP FM 90,9, uma emissora FM que retransmite o sinal da rádio Bandeirantes de jornalismo,









 e sócio-diretor da Prospecto, uma empresa que atua em promoções e distribuições para o segmento de varejo









. “A empresa tinha escritórios em quatro cidades: Santos, Rio, Recife e Salvador




. Eu vivia feito um maluco. D


e manhã acordava em São Paulo, à tarde estava em Santos! 




Duas vezes por mês




, saía de São Paulo, passava o dia no Rio de Janeiro e 




à noite embarcada para Salvador. Passava o dia lá e 




à noite voava para Recife. Passava o dia e voltava para São Paulo”, lembra Paulo.

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Há doze anos, começou a mudar de vida. Tirou, pela primeira vez, o pé do acelerador. “Entendi que nunca seria milionário. 




Concentrei a minha ação em São Paulo. Mudei a sede da empresa para o Parque Novo Mundo para facilitar a vida dos funcionários, que gastam 10 minutos para chegar no trabalho. 




Fechei a parceria com a Bandeirantes e hoje trabalho apenas meio período, até 15 horas. Foi a minha contrapartida. Tive, por exemplo, o privilégio de poder buscar meu filho na escola, todos os dias, por quarto anos.”

Com mais tempo, a história da oficina de restauro de carros foi ganhando espaço e importância na vida de Paulo, que mora em São Paulo e é pai de dois meninos. Os primeiros clientes não eram clientes, mas amigos e amigos de amigos. E amigos dos amigos. Até que chegou o Paulinho da Viola…

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“A história do Paulinho é engraçada. Acho que foi ele quem me incentivou a transformer o hobby em negócio, a ter CNPJ e nota fiscal”, lembra Paulo que, claro, é fã do sambista. E vice-versa. Explico. Paulinho da Viola é louco por Karmann Ghia também. Um dia, Paulo, o Borges, foi no show do músico. Com o cd em mãos, foi ao camarim pedir autógrafo. Falou sobre o carro, já que por causa do documentário Meu Tempo é hoje, sabia que Paulinho tinha um Karmann na garagem. A conversa animou. “Quando vi, estávamos em um canto falando de carro e a fila de fãs ali, me odiando. Disse que poderia restaurar o carro dele. Trocamos telefones e por muitos dias tentei, sem sucesso, falar com a filha dele, que é a empresária. Desisti e deixei para lá.”

O tempo passou. Um belo dia, um amigo do Paulo ligou para a oficina para saber se ele tinha um motor de Volkswagen sobrando. Tinha. Para surpresa e alegria dele, o amigo do amigo necessitado era ninguém menos do que Paulinho da Viola. “Contei a história do show e na mesma hora ele ligou para o Paulinho, que não só lembrava de mim, como disse estar me procurando há tempos. Marcamos, ele veio à oficina e ficamos quase que o dia todo conversando. Foi uma glória”, conta Paulo Borges.

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O carro do Paulinho já pintado de vermelho, a cor original de fábrica.

Com a abertura da empresa, a La Officina atenderá clientes em geral. Ainda não é o plano B de Paulo, porque neste momento o objetivo não é faturar e pagar a escola dos filhos. Por enquanto, a meta é pagar as contas e empatar. “Vejo o trabalho de restauração como algo mais conceitual e até filosófico




. Afinal, trata-se de algo que está se deteriorando na natureza. Um carro, ao ser restaurado, ganha uma série de significados. 




Restaurar um carro é uma forma de deter o consumo desenfreado




 e também valorizar a história afetiva do veículo com seu proprietário. Nós, por exemplo, só trabalhamos com chapas descartadas pelo indústria. Reciclamos, recriamos, reaproveitamos”, explica o empresário.

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Cutuco o empreendedor mais uma vez. Pergunto se ele não pensa, um dia, viver dessa paixão. Ele sorri. Diz que não, porque não pretende abrir mão dos valores e acha difícil a conta fechar. “Não chego a colocar a mão na massa. Mas 




gosto de estar lá




. Passo na oficina todos os dias, 




fico meia, uma hora, 




gosto do poeirão. 




Meu pai foi responsável pela oficina da Central do Brasil e









 de vez em quando, aos sábados, ele me levava pra ver a oficina. É uma história antiga…acho que preciso fazer terapia.” Precisa não. Até porque quando a contar fechar, Paulo já tem um plano C que é se dedicar à literatura e às pesquisas acadêmicas. Acho que o Paulinho da Viola vai gostar também.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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