Um artista tem que estar onde o povo está

Praia de Carneiros, litoral sul de Pernambuco. Sábado de março. Na praia, mais de 200 pessoas embarcam rumo ao mar.

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É uma multidão de turistas. Estão de férias. Trazem no bolso reais para gastar e na cabeça uma missão: aproveitar ao máximo as férias. O momento é de autoindulgência, quase hedonismo. O vendedor de picolés pernambucano, Wilson Silva, 26 anos, não estudou psicologia mas conhece profundamente esses desejos. Em dia de sol e alta temporada, ele bate a meta de vender 100 picolés da Kibon, marca que representa há quatro anos na praia de Carneiros, litoral sul de Recife.

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É uma marca excelente. Mérito do sorvete e de Wilson, um vendedor com alma de artista. Além de atender bem, ele compreendeu que fatura mais, muito mais, se estiver onde o povo está. Nos dias de sol, que são quase todos, ele empurra o seu carrinho até a areia e o embarca em uma pequena canoinha com motor de 8 HPs. Rapidinho, ele percorre os 500 metros que separam a terra firme de um banco de areia, uma das atrações de Carneiros.

Quando os barcos com os turistas aportam por lá — e são muitos diariamente — Wilson está à postos. É um encontro improvável. Ninguém imagina poder chupar um Chicabon no meio do mar. “As pessoas ficam surpresas de me encontrar aqui. Basta me ver para vir o desejo de um picolé”, conta ele, que tem a manhã de perseguir os turistas até uma outra parada quando o movimento está menor. “Não perco nenhuma oportunidade de faturar”, diz ele. Pergunto se a Unilever sabe da estratégia dele. Ele faz cara de espanto. “Claro que não. Eles nem sabem que eu existo.”

Conhecer o Wilson foi como levar um beliscão. Ele, ali no meio daquele marzão, é a prova vida de que sempre é possível ir mais longe. Ter uma ideia diferente. Ousar. Sair da caixa, da terra firme, literalmente. Enquanto lambia o meu picolé, pensei nisso. Qual poderia ser o meu novo pulo? Por qual mares diferentes navegar?

 

 

 

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9 comentários sobre “Um artista tem que estar onde o povo está

  1. Claudia te sigo desde o 1o posts, Nunca me atrevi a fazer comentário, timidez???. Hoje te lendo num momento especial, que estou empenhada em divulgar um design construtor de moveis, pensei “olha ai a minha barquinha é hora de atravessar o mar e montar a barraca, quem chegar vai pelo menos conhecer meu sorvete”, veja o site http://www.guidoguedes.com.br e se/quando puder me diga se não é da qualidade da Kibom. Sim é meu filho! Carinho especial pra e por vc.

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  2. Oi, Claudia, como é bom ler você! Uma coisa é a percepção de uma ideia simples, o que já é muito. Outra coisa, e bem maior, é saber contá-la como você, com beleza e prazer. Continuo na sua trilha. Um abração!

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