João das Alagoas e seus discípulos mestres na arte de esculpir histórias

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Seu João das Alagoas é um mestre da arte popular. Com as mãos, molda um mundo particular. Ele é feito de barro cozido no forno. As imagens contam histórias singelas da vida na Capela, uma pequena cidade no interior das Alagoas. Seu João é louco pelo boi. Sobre as costas dele aplica, em alto relevo, um manto de personagens e elementos. O casamento. O batizado. A festa. O folguedo. É tão lindo que dá vontade de namorar, passar a mão e acariciar.  Seu João percebe quando a pessoa se apaixona pelo o que ele faz. Quando isso acontece, ele abre o sorriso e dá conversa. Conta causos e fala da sua história.

João das Alagoas nasceu João da Silva. Quando menino, com os pés gostava de jogar futebol. Era bom e, por isso, tinha o apelido de João Maravilha, uma referência ao craque Dadá. Com as mãos fazia arte no barro. Imitava os trabalhos de mestre Vitalino, de Caruaru, cidade que fica a 280 quilômetros de Capela. Foi fazendo, foi fazendo e ficando mestre. Mas ainda tinha que fazer dupla jornada como pedreiro e pintor. “Eu tinha minha família para sustentar”, conta ele, que expôs pela primeira vez em 1987, em Campinas, interior de São Paulo. “Foi lá que me deram a sugestão do nome João das Alagoas. Gostei e adotei.”

O trabalho foi crescendo. Ele foi fazendo, criando, expondo e de gerúndio em gerúndio faz mais de uma década que vive de arte. Faz bois sob encomenda. Uma peça grande e elaborada pode vale mais de 5 mil reais. Não vive sozinho. Em seu ateliê, simples e rústico, vizinho a uma escola estadual de Capela, ele começou a ensinar. Os discípulos foram se convertendo em mestres. Hoje João trabalha ao lado dos artesãos Sil, Leonilsson, vulgo Galego, Nena, João Carlos, Claudio e Van. 

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Na foto acima, ficou faltando Sil, que estava doente, e João Carlos, que ainda não havia chegado ao trabalho. Fiquei muito impressionada com o talento deles e com a generosidade de João. Depois de contar sobre seu trabalho e vender um boi para nós, que deve ficar pronto daqui dois meses, João fez questão de apresentar o trabalho de todos os seus colegas. Explicou a história do Jaraguá de Sil, mostrou no forno peças recém-queimadas por Nena e Van e descreveu com encanto o São Jorge de Galego e as miniaturas de Claudio, um mestre em esculpir  pequenino. “Nosso trabalho é feito com muito carinho. Adoramos pensar que nossas peças viajam pelo mundo levando um pouquinho de nós”, contou João, que no dia 4 de agosto de 2011  foi declarado como Patrimônio Vivo Cultural de Alagoas.
Quando dei a partida na nossa Ranger preta, carregada de peças e do carinho deles, olhei para trás para dar o último ciao e, a meu modo, agradecer por tanto carinho e beleza. Sim, eles viajam pelo mundo por meio de suas obras. Aquelas que comprei, agora, estão na minha Capela para serem admiradas por viajantes que chegam até o meu paraíso particular. Assim um novo circulo virtuoso se cria. Obrigada, João.
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Noivos de Van
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Dia de domingo de Nena
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Miniatura de fazenda de Claudio

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Árvore de Natal de Leonilson, o Galego

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