Saudades dos Pierrots apaixonados ou deixem as minas em paz, porra!

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História triste e recorrente de Carnaval.

Fim de noite. A folia acaba e os foliões se dispersam. Pequenos grupos vão se indo. Uma moça, vestida de marinheira, se despede dos amigos. Ela é a única a mora do outro lado, o tal do lado oposto. A turma cansada, acabada, como ela. Ninguém se oferece a acompanhá-la. Ela parte. Está em um bairro de classe média alta de São Paulo. A moderna e estilosa Vila Madalena. Acredita que pode ir só na paz.

Caminha um quarteirão e ao olhar para o lado nota estar sendo seguida por uma dupla de rapazes em um carro. Eles a perseguem devagarinho e dizem gracinhas. No começo, gentis. Uma paquera normal, aceitável no Brasil, Terra do politicamente incorreto, da zoarão, da zorra. Ela não dá ouvidos. Aperta o passo. Segue seu rumo. A farra estava ótima, mas acabou. Está cansada. Só quer chegar em casa, tomar um banho e dormir. Amanhã, é dia de trampo.

Os rapazes não aceitaram a negativa. Continuaram a segui-la. Os gracejos mudaram de tom. Ficaram mais insistentes. Mais altos, mais agressivos.Depois, violentos. Palavrões. O carro quase subiu na calçada para pressionar a garota.

Renato Russo cantava:

“Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz

Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho”

Quando o confronto e, provavelmente, a violência parecia eminente, Renata, a Vingadora, minha amiga querida, trá-trá-trá, apareceu.

— Vem cá, garota. Vem para o meu carro.

A pobre Colombina que não encontrou qualquer Pierrot apaixonado, olhou para o lado e encontrou refúgio na solidariedade de Rê, a rainha do bloco independente, da pipoca, do bloquinho, do folião desgarrado.

“Quando vi a menina, encolhida, fugindo dos trogloditas, fiquei condoída. O momento é crítico. Mulher sozinha não pode dar sopa por ai. Os caras estão muito agressivos, muito violentos. O mínimo que podemos fazer é ajudarmos umas as outras. O pior é que acabei dando uma sabão na menina, que, inocente,ficou dando bobeira na rua depois da festa. Eu sei que é um absurdo. Mas assim é. Enquanto não acabarmos com essa agressividade, essa violência contra nós mulheres, temos que saber nos proteger.

A Colombina foi salva pela Renata e por um Uber que a levou segura para casa. Pelo navegador, Renata, que pediu o carro, soube que ela chegou ao destino vinte minutos depois. Sã e salva. Renata, trá-trá-trá, dormiu em paz. Feliz, porque salvou sua irmã.

A mensagem final desta história triste de carnaval é: nós mulheres morremos de saudades dos Pierrots apaixonados e clamamos: deixem as minas em paz, porra!

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8 comentários sobre “Saudades dos Pierrots apaixonados ou deixem as minas em paz, porra!

  1. Saudade mesmo da época dos pierrots apaixonados. Será que é difícil entender que as mulheres querem somente divertir-se? Por que é tão difícil eles entenderem isto? Por quê?????

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  2. Claudia, é mais um registro de que apesar de tentarmos ser otimista sempre, de que devemos lutar contra todas as injustiças, desigualdades e porque não corrupção, a impressão que dá quando me deparo com histórias como está, e de que estamos perdendo esta guerra para o mal. Continuarei lutando, fazendo a minha parte e deixando sempre minha indignação contra estes fatos e tentando conscientizar quem está perto, no meu condomínio, na minha rua, no meu bairro, no clube que frequento, porque não quero deixar este legado para os meus queridos familiares e amigos. DEUS ilumine sempre para o caminho do bem e faça os Pais colocar seus filhos em colégios e dar uma boa orientação em casa. Abraços.

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