Respeitem as minas, porra!

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Farei 50 anos no dia 2 de novembro. Passei 42 anos achando que só eu tinha sido abusada na infância. Por um desconhecido, sócio do Esporte Clube Pinheiros, um dos mais respeitáveis e burgueses clubes recreativos de São Paulo. Nesta semana, li uma série de depoimentos de amigas minhas relatando experiências horríveis, tristes, arrasadoras de abuso sexual na infância. Decidi criar coragem e engrossar o caldo. Eu tinha 8 anos quando fui desrespeitada. Passei anos (muitos) achando que a culpa era minha porque sai com o cara (canalha, tarado, doente, perturbado) do clube para conseguir uma vaga no time de vôlei. Mentira do crápula. Andamos poucos metros até um prédio da redondeza e o melhor aconteceu. Fui abusada, mas não morri. Sobrevivi e enquanto viver vou lutar para impedir que outras crianças passem pelo que passei. Falar, escrever, denunciar, gritar, berrar, protestar, urrar, ir à polícia, à delegacia da mulher, ao programa de televisão, é o melhor que podemos fazer. Esses seres inomináveis, doentes, tarados, se valeram durante anos do nosso silêncio. Da nossa vergonha. Da nossa culpa equivocada. Do fato de que o congresso acha que pode legislar sobre o nosso corpo e sobre o nosso desejo de ter ou não um filho. Chega. Basta. Respeitem as minas, respeitem as mulheres, respeitem as velhas (eu).

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