O céu é o limite?

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Li a biografia do Abilio Diniz. Excelente trabalho da jornalista Cris Correa. Terminei de ler e fiquei cansada. Não dá obra, muito bem escrita e apurada. Cansei da energia inesgotável do empresário. É admirável. É perturbador. É cansativo. O que eu faria se tivesse um décimo do dinheiro que ele tem? Quer saber? De coração? Não faria mais nada. Vagabundeava. Flanava. Curtia. Desfrutava. Dormia. Peruava. Gastava. Fazia caridade. Ia no cinema. Me perdia no museu. Ficava na praia. Viajava. Em hipótese — porque nunca tive um décimo do dinheiro que ele tem — parava tudo. Tirava férias. Nunca mais respondia e-mail de madrugada. Nunca mais fazia frila no feriado. Nunca mais perdia noite cuidando de casamento. Nunca mais tinha paciência com fornecedor metido à besta. Nunca mais seria gentil com bêbado e folgado.

Minha primeira medida sentada na bufunfa seria tirar três meses de férias. Easy rider. Sem destino. Alugava um carro e saia por aí. Sem mala, que esse é o verdadeiro luxo de ser rico. No meio do caminho, pensava no que faria para ser produtiva, feliz e colaborativa. Empregaria pessoas legais para cuidar dos problemas no meu lugar. Me recolheria à retaguarda. Ficaria na minha pousada escrevendo e me fazendo de hóspede. Por whatsapp daria algumas dicas. Ou não. Talvez antecipasse o plano B. Time sharing para amigos e amigos de amigos. Redução de risco, danos e trabalho. Teria tempo de conhecer a Austrália e a Chapada Diamantina.  Teria mais tempo para ficar com meus pais, meu filho e meus bichos no colo.

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Acho que estava bom. Sou básica até na hora de esbanjar. Pão dura até no devaneio. Meu legado continuaria sendo o mesmo. Simples. Sem hiper nem superlativos. Não fui maior nem melhor em nada. Apenas fui honesta e decente. Trabalhadora e dedicada. Com esforço e honra, sou e fui filha, namorada, mulher, mãe, neta, amiga, tenista, velejadora, jornalista, editora, executiva, escritora, funcionária, descrachada, desempregada, empresária, militante, voluntária, leitora, motorista e outros substantivos que não me ocorrem agora. Queria ter sido outra coisa? Não. Tive mais felicidade do que tristeza. Ainda pensando no Abilio, sou de poucos quereres. Não gosto de perder como ele, mas não sou doente por ganhar. Menos ainda por competir. Nunca sonhei com um império nem com um extraordinário legado. Acho até que fui longe demais. Subi mais montanhas do que planejei e mergulhei mais fundo do que suponha ser capaz.

E você? Está satisfeito? O que faria se fosse bilionário? Largava tudo para curtir ou tentava ficar trilhardário?

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11 comentários sobre “O céu é o limite?

  1. Prezada Claudia,

    Estou há quase 3 semanas “sem crachá” (parodiando você) e acabo de encontrar seu livro. Com certeza eu (assim como muitas pessoas) me identifiquei com o que esta escrito. Não tinha o cargo que você possuía e, diferentemente de você, consegui ler todos os sinais de minha demissão (acredito que até pela posição em que estava), mas como é difícil entender que existe uma pessoa antes de uma profissional! Seu livro, que acabarei de ler em uma viagem daqui 2 dias (coincidentemente, havia planejado antes de ser “saída” ), cumpre a missão de inspirar. Parabéns por ter descoberto a pessoa em você e espero que minha jornada vá pelo mesmo caminho. Um forte abraço, Angélica.

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    1. Angélica, obrigada por sua mensagem. E por escrever. Desejo que você faça a sua “viagem” e que consiga rapidamente uma inspiração e um plano B. Te desejo também muita força, coragem e serenidade. No final, tudo dá certo. Forte abraço para você também. claudia

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  2. Claudia…
    Estou viciada em ler você ! É muito bom, pois as palavras fluem e sinto que você escreve leve, situações sérias! Faz pensar.
    Continuo sem crachá, acreditando que não quero mais nenhum e sem clareza de plano B .
    Triste? Não! Ando mais feliz do que de costume! Nunca me imaginei nem milionária, o que diria trilhardária! A formação espartana sempre me encaminhou para a partilha e para buscar as mudanças sociais e a sociedade igualitária. Continuo buscando!
    Obrigada! Um abraço! Ciça

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  3. Oi, Cláudia!!

    Nunca tive vocação, talento e portanto, nenhum plano de ser milionária, bilionária e muito menos trilhardária como tantos nesse mundo. Porque até pra ser rico a gente precisa ter veia e eu definitivamente, não tenho. Mas obviamente que penso muito que seria uma pessoa um pouquinho mais feliz e tranquila sabendo que dinheiro não é um problema na minha vida e esses tempos meu horóscopo disse que eu ia ganhar muito dinheiro num concurso, num prêmio ou algo semelhante. Então, resolvi acreditar nos astros apostar na loteria. E fiquei pensando no que eu faria se de fato ganhasse milhões da noite pro dia.
    A primeira coisa que eu faria seria comprar minha cidadania australiana. Pagaria em cash e ainda deixaria uma boa gorjeta pro agente da imigração.
    Depois, compraria uma empresa qualquer só pra poder dar emprego e sponsor pra alguns amigos brasileiros que moram aqui em Sydney e que, assim como eu, não querem ir embora. Fiz uma listinha com os nomes de um por um dos que eu sponsoraria e garantiria a permanência definitiva nesse país.
    Caso sobrasse algum dinheiro, acho que eu compraria um pequeno apartamento pra mim aqui de frente pro mar. Nada de muito grande, um apê de 1 ou 2 dormitórios e eu estaria feliz da vida.
    Infelizmente, meus números não foram sorteados e portanto, continuo trabalhando igual louca e tocando meu plano em frente.
    Ah! Se tu resolver vir conhecer a Austrália, por favor, me avisa que vai ser um enorme prazer te receber aqui.

    Beijão

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  4. Oi Claudia!
    Eu acho que faria muito parecido com o que vc escreveu.
    Ia aproveitar para viajar, descansar, comprar sem preocupação se é caro ou não…
    Acho que ter muito dinheiro, nos deixa mais seguros quanto ao futuro, sem preocupações de como será daqui 10/20 anos.
    Mas também deve dar um trabalho enorme ter tanto dinheiro, pq tem que administrar muita coisa.

    Beijo e adorei ler sobre seu ponto de vista!
    Ainda quero ler o livro dele.
    Flavia

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  5. Também adoraria ter o luxo de viajar sem malas. E se tivese muito dinheiro, distribuiria ou compraria uma área verde que está ameaçada na cidade em que resido só para manter intocada pela posteridade. Já quis glamour, já quis luxo, já quis ostentar, hoje não mais. Gosto da vida que tenho, aprendi que a felicidade está na simplicidade, meus quereres são simples. Estou saindo de um trabalho no fim desse mês, vou viver sem crachá mais um tempo e poder aproveitar mais pores do sol, mais cantares de pássaros, farei mais caminhadas de manhã, tomarei cafés da tarde com amigas, observarei de perto meus meninos, passearei com minha cachorra. Vou ralar também porque não sou rica; cuido da casa, da comida, das roupas, sou máetorista. Terei o luxo de, por algum tempo, ter tempo e também um dinheirinho que consegui juntar nesse trabalho temporário que tive nos últimos meses. Sei que daqui algum tempo terei que correr atrás de emprego de novo mas por enquanto só quero mesmo aproveitar, fazer um detox do mundo corporativo e me entregar à liberdade.

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