O meu PE e a Lua de Sangue

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Vi a lua de sangue pela primeira vez e ela mexeu comigo. Ela foi se transformando, se tingindo, minuto a minuto. Deixou de ser a luz doce dos namorados. Virou um símbolo de vida e de morte. De transformação. De relatividade. Saber que ela só se repetirá em 2033 e pensar que posso não mais estar aqui para vê-la, me deixou ainda mais reflexiva. Farei 50 anos daqui 30 e poucos dias. Que lua eu serei se reencontrar a Lua de Sangue? Que projetos terei feito? Que histórias terei contado? Darei conta de iluminar meu filho até a idade adulta? Darei conta de guiar meus pais até a luz eterna?
Essas e outras perguntas, ainda mais particulares, me acompanharam enquanto eu admirava a Lua de Sangue. Tive a chance de vê-la porque estava na minha Capela e a noite era clara, com pouquíssimas nuvens. Desligamos as luzes do jardim e da piscina e cada um foi achando o seu canto. Deitei em uma espreguiçadeira. No início, em companhia. Depois fiquei só. Eu a lua, o sangue e a música. Foi quando percebi que era momento de aproveitar o ensejo para planejar. Decidir o que eu quero fazer da vida até o próximo eclipse. Resolver que passos vou dar para, se chegar até lá, poder dizer, de novo, que valeu a pena.
Começo hoje, portanto, o meu Planejamento Estratégico da Lua de Sangue. Vou desenhar metas de curto, médio e longo prazo para tentar reencontrá-la em 2033. Começo hoje também a fase 2, a missão, do projeto A Vida Sem Crachá. A proposta é seguir contando histórias de transformação e de planos A, B, C e Z. Construir um abecedário de ideias que possam ser úteis e inspiradoras. Aproveito para, de cara, pedir ajuda. Tem uma história bacana, me conta. Conhece alguém que fez um triplo mortal carpado e mudou de vida? Me dá a pista, que vou atrás. Se tudo der certo, no ano 1 do meu PE da Lua de Sangue, lanço mais um livrinho da série A Vida Sem Crachá. Porque dá para viver sem ele, mas sem felicidade (e um pouco de dinheirinho) não.

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29 comentários sobre “O meu PE e a Lua de Sangue

  1. Boa tarde Claudia, achei voce e seu blog pq temos os mesmos sentimentos de vida, apesar de escalas financeiras diferentes, porém que tirar meu cracha, e estou nessa caminhada 2015 foi um marco por comecar a executar esse plano de vida… espero em breve ser mais uma materia para vc… parabens pela iniciativa, espero que consiga alcancar seus planos..
    obrigado.

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  2. Oi, Cláudia!!!

    Daqui de longe, mais especificamente de Sydney, na Austrália, leio teu blog sempre e o tenho na minha barrinha de favoritos. Tua história e teus textos me inspiram muito e me fazem questionar e reafirmar as minhas escolhas, especialmente a que me trouxe até aqui do outro lado do planeta. E ja que tu pediu pra que a gente conte uma história de mudança de vida, vou contar a minha então.
    Sou gaúcha, tenho 38 anos, me formei em publicidade há quase 16 anos. Até os meus 36 anos costumo dizer brincando que fui casada por 20 anos com homens diferentes porque costumava engatar um relacionamento longo em outro mais longo ainda. O último, que durou 6 anos, terminou em 2012 e na sequência desse emendei mais um que durou pouco, mas que me acordou pra vida com um tapa na cara. Hoje, olhando pra trás, tenho a sensação que até os meus 36 anos de vida eu dormi ou vivi num estado de semi consciência.
    Em dezembro de 2013, tirei 30 dias de férias da empresa gigante e multinacional onde eu trabalhava como gerente de um programa de marketing e vim pra Sydney visitar meu irmão, que ja mora aqui há 8 anos. Vim com um coração em pedaços por ter terminado com o tal namorado que durou pouco. Cheguei aqui no dia 30 de dezembro de 2013, às 21h30 depois de uma viagem longa e cheia de imprevistos, mas que marcou o início das mudanças na minha vida. Virei o ano numa festa absurdamente maravilhosa na Ópera House onde vi os fogos explodirem na Harbour Bridge num cenário de filme. Não sabia se chorava de emoção, de alegria ou se abraçava meu irmão e minha cunhada pra desejar feliz ano novo. Passei o mês de janeiro de 2014 inteiro aqui em Sydney curtindo a cidade, as praias, a vida. E aqui mesmo decidi que queria vir pra morar. Voltei pro Brasil no comecinho de fevereiro e no dia em que completei 37 anos, em 3 de fevereiro, voltei ao trabalho, liguei pra minha diretora e contei que em 1 ano deixaria a empresa e me mudaria pra Austrália.
    Nunca antes na história da minha vida tinha planejado alguma coisa, tudo sempre foi acontecendo pra mim de um jeito ou de outro. Mas eu planejei a minha vinda pra Austrália, coloquei tudo no papel, listei as razões pelas quais ia deixar minha boa vida em Porto Alegre e viria pra cá. O grande objetivo era me desafiar porque a vida na capital gaúcha era boa, mas era entediante. Meu trabalho, apesar de ser invejado por muitos, não me oferecia nenhuma oportunidade de crescimento à médio prazo. Eu queria mais, muito mais. Queria frio na barriga, medo, incerteza, desafios, queria saber os meus limites e quem eu sou de verdade. E achei que não iria conseguir esse pacote completo no Brasil.
    Então, comecei a executar o plano. Pra praticar mais o meu inglês, decidi virar hostess do CouchSurfing e hospedei muito gringo em casa. Foi a melhor coisa que fiz na vida, conheci muita gente legal, me conheci através deles e hoje tenho amigos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Decidi também ser voluntária na Copa do Mundo e de novo, foi uma experiência incrível. Paralelo a isso, juntava todo o dinheiro que podia pra poder pagar as passagens e o curso que eu faria aqui, ja que não consegui transferência da empresa do Brasil pra Austrália. Vim com visto de estudante mesmo.
    Em setembro de 2014, percebi que eu precisava de mais dinheiro do que tinha e comecei a pirar pra saber como eu iria fazer pra arrumar essa grana. Poderia facilmente ter pedido pro meu pai porque ele não teria problema algum em me dar, mas não quis. O plano era meu e eu decidi que faria tudo com o meu dinheiro. Passei noites em claro tentando achar uma alternativa, até que numa reunião café da manhã que tive na empresa, resolvi assar um bolo de chocolate pra levar. Um bolo simples, mas bem gostoso. Todo mundo que estava na reunião e provou o bolo, sugeriu que eu vendesse. Tava ali a solução pros meus problemas: vender bolo. Criei uma página no Facebook chamada O Bolo do Sonho e contei a minha história, que tinha um sonho de morar na Austrália e por isso, estava vendendo bolo pra arrecadar dinheiro. De outubro de 2014 a janeiro de 2015, vendi muitos e muitos bolos e consegui o dinheiro que precisava. Muita gente conhecida e desconhecida comprou meu bolo e apoiou a minha história. Pra cada um, eu escrevia um bilhetinho à mão agradecendo a ajuda. E cada vez que eu preparava um bolo encomendado por alguém que também tinha uma história, eu fechava meus olhos e colocava, além dos ingredientes, um pouco da minha energia, dos meus bons sentimentos. Essa era a parte legal: levar doçura e coisas positivas pras outras pessoas.
    Cheguei aqui em Sydney no dia 25 de abril depois de ter pedido demissão da empresa onde trabalhei por 7 anos, depois de ter vendido grande parte das minhas coisas e ter colocado o que sobrou em 2 malas. Hoje sou garçonete num restaurante italiano e arrumadeira num hotel, só ando de bicicleta pra cima e pra baixo e nunca mais usei um salto alto. Se eu sinto falta da vida corporativa? Às vezes sim. Mas aprendo muito mais sobre a vida aqui, servindo mesas e limpando privadas, do que estava aprendendo sentada no escritório atrás de um computador. Não tenho mais crachá e nem salário fixo, mas tenho liberdade, tenho uma nova página pra escrever todos os dias, tenho segurança e muitas oportunidades de me reinventar quando eu quiser.
    E tenho um objetivo: conseguir um sponsor pra poder pedir o visto de residência permanente na Austrália. E quando esse dia chegar (e ele VAI chegar), vou escalar a Harbour Bridge. Meu último medo – o de altura – vai acabar ali,

    Essa é a minha história.
    Obrigada por me inspirar e continua sonhando, planejando e realizando.
    Beijos

    Lu

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      1. Oi, Claudia

        Nossa, seria uma imensa honra se tu publicasse a minha história que perto das histórias que ouço por aqui de gente nova que entrou na minha vida, é só uma simples história. E perto da tua história, também não é nada. Mas tu pode publicar sim, não tem problema.
        Obrigada pela resposta.
        Ah! Eu tenho um blog onde escrevo contando toda a história da minha mudança numa série de posts entitulados virando a própria mesa. O nome do blog é Menina de Ar.
        Beijo grande pra ti também

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    1. Luciana, desculpa, mas preciso me intrometer… QUE HISTÓRIA, CARA!! risos
      Sou gaúcho também e os sonhos têm despertado em mim.

      Foi reconfortante ler a tua história, hein? Sugiro criar um blog, pois penso que tem muita coisa guardada aí pra nos ajudar a crescer como profissionais, estudantes, filhos, colegas, enfim, como GENTE.

      Sério, foi bom ler sua história. Deus continue guiando teus passos!

      Abraço, com esperança de manter contato de alguma maneira.

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      1. Claudia, também acho teu blog inspirador; inclusive, indiquei-o para uma colega de trabalho que recentemente foi desligada e, pensei eu, deve ter ficado sem chão. Ela respondeu-me dizendo que foi muito bom ter este acesso. Tua escrita faz bem porque inova, desacomoda, faz rir e acalenta o coração preocupado. Há esperança para quando temos a coragem de ir além daquilo que conseguimos enxergar. Olhar PARA uma vida sem crachá pode ser desesperador, mas olhar ATRAVÉS da vida sem crachá pode nos levar a um novo horizonte e patamar.

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      2. Oi, Sergio!!!

        Que bom que tu curtiu a minha história e que de alguma forma, ela te reconfortou.
        Quando eu anunciei publicamente pra minha família e pros meus amigos que eu iria chutar o balde e viria de mala e cuia pra Austrália aos 38 anos, a maioria das pessoas me dizia que eu era muito corajosa. Muita gente olhava pra mim com um misto de inveja e admiração e me dizia “como eu queria fazer isso também”. Mas sabe o que eu acho e o que eu respondia? Acho que coragem não é arriscar e seguir os sonhos, coragem mesmo tem aqueles que tem sonhos e vontades e não se movimentam pra realizá-los porque tem medo do desconhecido, do novo, do incontrolável. O que eu quero te dizer com isso é que se tu tem um sonho, qualquer que seja, vai atrás dele. Não tenha medo de nada porque tudo é experiência, tudo é válido, de qualquer coisa boa ou ruim a gente tira uma lição e se torna uma pessoa muito melhor e mais forte.
        Eu tenho um blog sim onde conto essa história da mudança e muitas outras. É http://meninadear.blogspot.com

        Beijo pra ti

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  3. Gostei do blog, mas ele pede por um design mais limpo, mais fácil. Não consigo visualizar os arquivos, temas, enfim…ou melhor, talvez esteja simples demais…gostaria de pesquisar mas nem sei o quê visto que vejo só um texto por página. Crítica construtiva pois não me animou a seguir adiante, entende? Pena , pois a proposta parece legal.

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  4. Por favor não me peça desculpas, sinto-me mal. É que achei tão legal a proposta do blog e com seguidores podes anunciar muito, enfim…escreves muito bem também. Cheguei aqui através da Obvious e …bem já que palpitei, quem sabe peça ajuda a alguém…e surja aí uma baita coach ..sucesso!

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  5. hello Claudia … “esbarrei” no seu livro na cultura da paulista e ñ deu outra, comprei … um pouco diferente de vc, planejei minha vida sem crachá mas, claro, os fatos da vida alteram planos e surpreendem a todo momento … mandarei o e-mail no endereço postado … kind regards …

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