O dia seguinte

Isabel Larangeira  Claudia Giudice e Carolina Chagas 7

Nunca pensei que o dia seguinte fosse tão bom. Nunca pensei que iria me sentir tão leve. Subi algumas montanhas. Russas, tibetanas e nepalesas. Fui sem oxigênio, porque sou metida à forte e decidi por à prova o meu um pulmão baleado, órgão da tristeza. Subi, desci e estou aqui, saltitando com os dois pés. Alegria, alegria.
Nunca pensei que mereceria tanto carinho, tanta amizade e tantos cuidados. Ontem, na minha segunda noite de autógrafos, agora na Bahia, minha segunda pátria, minha pátria, minha língua, vi na fila pessoas que conheço há relativamente pouco tempo para os meus 50 anos. Cada uma, como em São Paulo, trazia uma história e um pedaço de mim. Não o pedaço perdido, como aquele amputado da música do Chico Buarque. Eram pedaços de mim vivos, pulsantes, cheios de vontade e de desejo. Pedaços de ideias, de projetos, de festas por fazer, de encontros a realizar, de farras que ainda vão acontecer, de falas, de dias e noites de amigos e amores.
Para ser ainda melhor, o dia seguinte teve direito a passeio na casa de Jorge Amado. A casa do Rio Vermelho, na rua das Andorinhas. Gosto da Bahia por muitos motivos. Um deles é porque em Salvador existe rua das Andorinhas, rua da Poesia, rua do Romance e rua da Prosa! Nada contra o meu bisavô, Antonio de Gouvea Giudice, nome de rua no Alto de Pinheiros em São Paulo, mas rua da Elegia seria muito mais bonito. Na casa de Jorge, que conheci quando ele e Zélia ainda moravam lá e que me fez enlouquecer pela Bahia quando devorei Terras do Sem Fim, li um texto que Carol, uma amiga muito querida, reproduziu e depois me marcou no Facebook. O título é uma síntese de O Dia Seguinte, por isso reproduzo-o aqui acompanhado da minha palavra preferida: OBRIGADA

A AMIZADE É O SAL DA VIDA
Jorge Amado e Zélia Gattai foram pessoas agregadoras e, ao longo da vida, formaram uma grande coleção de amigos, vindos de todas as partes do mundo, das mais diferentes origens e ocupações. Muitos desses amigos foram importantes nomes da cultura e do pensamento no século XX. A casa do Rio Vermelho esteve sempre aberta a eles, numa permanente celebração à alegria de viver e à união entre as pessoas.

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