A noite em que perdi o medo

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Gente espelho de estrelas,
Reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas,
Só mesmo o amor
Maurício, Lucila, Gildásio,
Ivonete, Agripino,
Gracinha, Zezé
Gente espelho da vida,
Doce mistério

Caetano Veloso

Nos filmes de Hollywood e nas novelas de TV, quando um personagem está prestes a morrer, costuma ter flashback. Em uma edição nervosa, cenas da vida se sucedem trazendo ritmo e emoção para os instantes finais. Daí, bum. O avião cai. O carro explode. A bala atinge o peito e morte. Eu não morri. Nem tive medo. Só antes. Mas assisti um flashback lindo da minha vida na última terça-feira, 25 de agosto. Vou contar porque muita gente que não pode ir, mas entendeu o sentimento que a falta de experiência me trazia, perguntou como havia sido o encontro de lançamento do meu livro. Foi lindo. Foi maravilhoso. Foi divino, maravilhoso para citar outra música do Caetano Veloso.
Eu não fiquei lá sozinha, como temia. Ao contrário, quando cheguei já havia amigos me esperando. A mesa já estava arrumada, com banner, copo de água e um livro bem exposto. Abracei todo mundo e não fiz doce para começar meu trabalho. Ainda bem. A fila começou às 18h15 quando cheguei e terminou às 22, quando a livraria Cultura fechou. Se tivesse enrolado, teria perdido abraços apertados, autógrafos e lembranças. Cada um que ali chegou trouxe para mim, além do carinho e da atenção, memórias especiais da minha vida com e sem crachá. Colegas de colégio, como a Roberta e a Fernanda, amigas do tempo em que usávamos saia xadrez e mocassin preto com meia branca e sonhávamos com um futuro longínquo e distante. “Como será que seremos no ano 2000?” era uma pergunta tão recorrente quanto “como será que é bom beijar na boca?”
Na fila, esperando pacientemente, também estavam amigos de uma vida, nascidos na quadra de tênis, na faculdade, nos tempos loucos de farra, de política e de ideais. Malu, Georgia, Leila, GG, Giba, Carlinhos, Lina, Clau, Laerte e Silvio, pai do meu filho e companheiro de uma vida. Juro que tentei ser rápida e caprichosa nas dedicatórias. Valorizar os detalhes e a presença. No meio da fila, tudo junto e misturado, colegas dos muitos trabalhos que tive. Novos amigos, clientes da Pousada e leitores do blog e Facebook também vieram me prestigiar, o que me deu uma alegria imensa. Com cada um, muitas histórias e memórias. Foi lindo. Foi emocionante. Foi muito intenso. Antes das 21 horas, a tinta da caneta da Irmã Dulce acabou. Acho que já tinha escrito umas 180 dedicatórias para pessoas, que foram importantíssimas na minha vida. Algumas mudaram, sem querer, o meu destino ao me colocar em projetos, em viagens ou ao me apresentar novos amigos.
Para terminar o expediente, meus pais me emprestaram uma Cross dourada, daquelas de coleção. Juro não saber onde a enfiei no final, tamanha a embriaguez de felicidade que vivi. Matei a saudade de um bocado de gente e me senti como se fosse uma noiva no dia do casamento. Estava lá de véu e grinalda e não podia deixar de cumprir minha função. Sei que perdi boas conversas durante a festa. Da minha mesa, notei que teve gente que entrou várias vezes na fila para poder bater papo com o amigo que chegou mais tarde. Achei que era um bom sinal, até a espera estava divertida.
Às 22 horas, não virei abóbora mas assinei o último livro. Foram 250, segundo a contabilidade do meu filho, apurada junto aos rapazes do caixa. Segundo eles, vendi bem. Mais e melhor que muito autor famoso. Chico se revelou um ótimo agente. Recebeu, conversou, tirou fotos e no final, apesar da hora, aguentou a saideira no Ritz. Antes, porém, meus amigos mais próximos e presentes, aqueles que fazem parte de grupo de zapzap, aprontaram comigo, no melhor sentido da palavra. Me aplaudiram de pé, como se eu merecesse. De novo, foi lindo. Foi emocionante. De longe, vi meu pai se debulhando em lágrimas e minha mãe exultante. A noite terminava, encerrando um ciclo de mudança e transformação para todos nós.

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Aprendi a viver sem crachá. Perdi o medo de ficar só em minhas festas. Confirmei que estava certa, certíssima em defender a amizade acima de todas as coisas. Agora, só posso terminar esse texto com uma palavra: OBRIGADA.

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23 comentários sobre “A noite em que perdi o medo

  1. Claudia, não fui ao lançamento, mas hoje já comprei o seu livro e vou levá-lo em setembro, quando vou passar uns dias na Capela, para sua dedicatória e autografo. Já comecei a ler o seu livro. Tenho certeza que será um sucesso! 👏👏👏

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  2. Creio que o lançamento de “A Vida sem Crachá” é um grande marco na sua vida por 2 motivos: é a concretização de que “sim, é possível viver sem crachá” e por mostrar que você tem a força de tratar de um tema que muitas pessoas também estão vivendo ou acreditam que viverão um dia. Parabéns, mais um vez, pelo livro. Beijos e muito sucesso!!!

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  3. Parabéns Claudia, nunca trabalhei diretamente com vc, mas sempre admirei sua alegria e simplicidade. Adoro seus posts, quando leio parece que estou vendo você, a vida cheia de aprendizados nos faz cruzar com todo tipo de pessoa, personalidades diferentes, algumas passam e outras “passam” deixando sempre bons exemplos e vc é uma delas. Obrigado pelo convívio e ensinamentos. Parabéns bj

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  4. Cláudia, Parabéns pelo seu livro! Saiba que gosto muito seus posts e me identifico com muitos deles, pois como você também estou aprendendo a viver sem crachá. Beijos.

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  5. Claudia,
    sem palavras para descrever o qto me emocionei lendo sua descrição da noite, do seus sentimentos.
    Perdi! Perdi a chance de estar lá, de te dar um abraço. Mas ganhei ao não estando lá, poder criar na minha imaginação imagens táo nítidas dos seus sentimentos descritos no seu texto.

    Ah! O livro, já debulhei no ebook…. mas não tem graça pq não teve sua assinatura. Vou ter que ir na Capela para isso !?!

    Grande abraço e sucesso

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  6. Fui deliciosamente sabotada pela irmã. Recebi ontem em mãos meu exemplar em casa, e ainda autografado e com dedicatória. E eu que tinha planejado consegui-los agora na viagem de férias. Prova que a experiência sempre vence, minha irmã se quer me avisou que iria no lançamento. Deveria ter desconfiado, porque ela é uma devoradora de livros, ela é minha sabedoria, ela é minha inspiração, ela é onde eu quero chegar. Estou adorando o livro e desculpe-me Cláudia mas também estou me divertindo-me com cada linha, porque sabiamente escolheu fazer do limão uma limonada! Entre a leitura e outra dos meus livros técnicos, fujo sempre para “a vida sem crachá”.

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