Sem crise, sem inflação e com desconto

Entendo quase nada de economia. Fui ao google buscar uma definição de economia sustentável para checar se aquilo que eu pretendia contar era isso ou não. Encontrar alguns definições. A maioria pouco objetiva e nada sucinta. A mais direta foi: “a economia sustentável respeita os princípios da ecologia”. Fiquei satisfeita.

Nunca comprei créditos de carbono, mas acho que posso me considerar economicamente sustentável. Não tenho dívidas. Não desperdiço. Não compro supérfluos. Capto água da chuva e de poço artesiano. Produzo energia solar. Reciclo lixo. Não tenho carro. Ando de bicicleta e de transporte público – inclusos táxi e avião. Cuido da minha família, amo meus amigos e meus bichos. Tomo sol todos os dias. Não tomo remédio todos os dias. Não sou vegan, mas como alface e peixe em maior proporção do que como picanha.

Pensei sobre isso tudo hoje de manhã enquanto caminhava. Era uma caminhada sustentável também. Meu objetivo um era gastar calorias. Meu objetivo dois, pagar contas. Isso mesmo, aqui no meu ecossistema arembepiano, uma vez por mês, visitamos todos os lojistas que nos fornecem comida para gente e cachorro, bebida, remédios, material de construção, jornal e revistas para acertar nossas contas. Aqui ainda vivemos à base da conta no caderno, como a mercearia da dona Dulce da minha infância no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O fluxo de caixa é simples assim. Vamos comprando e uma vez por mês pagamos tudo. Sem acréscimo e, às vezes, com desconto. Isso mesmo. Conforme o tamanho da conta e o modo de pagamento, no final rola um abatimento. Hoje na peixaria, por exemplo, o peixe vermelho baixou de 30 para 25 reais porque compramos dez deles. O rabo de lagosta também ficou mais amigo por causa da quantidade.

A mesma negociação acontece na distribuidora de cerveja, refri e água. A dona, que não sei o nome mas a quem chamo de “querida” e ela me retribuiu com um “loira”, é jovem e ultraempreendedora. Abriu o negócio há nove meses e já dobrou de tamanho, comprou camionete para fazer entrega, gratuita, em domicílio e triplicou a quantidade de itens à venda. Evangélica, preza os princípios de Lutero e Calvino no que diz respeito à livre iniciativa e ao lucro. Não tem preconceito. Nem liga para o que diz o pastor Malafaia. Vende para católico, gente do candomblé e todas as vertentes de GLTBs que existem. Vive ao largo da crise e da inflação. É um azougue na hora de negociar. “Cliente bom compra mais e paga menos. Como não tenho preguiça de trabalhar, ganho o meu na quantidade”, ensina a querida.

Será que não seria bom se a economia sustentável, simplesinha, basiquinha assim, se espalhasse por ai?

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6 comentários sobre “Sem crise, sem inflação e com desconto

  1. Claudia desde o ” ….vida sem craxá ” tenho te acompanhado e cada vez mais te gosto, me faz bem te ler ou “ouvir”, seja qual for o tema. Sabe aquela coisa de “amiga de infância” que nasce naturalmente de uma fala ou outra. Agora em especial depois de um dia inteiro tendo ouvido 1867 vezes a palavra crise, outras tantas, a palavra desemprego ou inflação, te sou grata por poder ler uma delícia de texto onde as mesmas palavras sao usadas,
    me permitindo sentir esperança e forte nostalgia. Não nostalgia dolorida ou piegas mas cheia de boas lembranças e c expectativas de VIDA e ESPERANÇA. Eu estava precisando disto e me comprometo comigo mesma a ter isto presente , afinal vc mo deu de presente, e na medida do possível presentear alguém que também esteja precisando ou querendo ou splesmente apresentar a alguém que pode ter se perdido por falta disto.
    A Vc meu carinho e admiração.

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  2. Você tem toda razão, se a economia sustentável mais simplesinha e mais basiquinha se espalhasse com certeza teria muito mais adeptos. Acho que complicam demais na comunicação ao povo e aí desestimulam. Excelente texto!

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  3. Claudia, muito prazer!

    Te conheci esta semana, você ainda não sabia, sabe agora. rsrsr
    Me chamou a atenção sua experiência compartilhada, sobre a “demissão” “transição” “plano B’.
    Vivi uma experiência similar, que descrevi diferente de …..ter a pele arrancada…. Senti ter a identidade arrancada….a energia…..a vida…..
    Fui publicitária, na área comercial.
    Mas a vida segue e felizmente, apesar da resistência nata do ser humano, as mudanças costumam ser para melhor. A minha foi.
    Um dia vou te visitar e batemos um papo. Sou apaixonada por Bahia, Salvador, Chapada Diamantina, Porto Seguro e tudo que conheço daí.

    NO ASSUNTO SUSTENTABILIDADE, minha atividade atual, como empresária de eventos, me ensinou também que:
    – Além de preservar o planeta,
    – podemos utilizar produtos advindos de comunidades, com isso proporcionando uma melhor distribuição de renda. Isto em grande escala faria com que as pessoas de todos os cantos, ficassem melhor em suas cidades de que migrando para grandes centros.
    Sempre que posso, compro produtos de comunidades, seja para eventos, brindes, como para minha vida pessoal.
    Um grande abraço, sucesso no seu empreendimento!
    * se tiver um tempinho de conhecer meu negócio:
    http://www.bibliotecadeideias.com.br
    (a propósito, idéias era o único patrimônio que pensava ter quando abri a empresa, o tempo me mostrou que eu estava qualificada, patrimômio melhor ainda) rsrsrs

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    1. Mari, muito prazer. Obrigada por sua mensagem. Que bacana sua história. Nós aqui na pousada também contratamos pessoas da cidade e compramos o máximo de produtos produzidos por aqui. Se você puder me indicar coisas legais, ficarei muito feliz. Vou entrar já no seu site. beijo

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