Não vou comprar nada que tenha um preço aviltante, abusivo, absurdo. Simples assim

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Lá no século passado de onde eu vim, a inflação era um monstro, um dragão, um bicho papão. Soltava fogo pelas ventas e queimava o dinheiro suado dos trabalhadores, de classe A a Z, antes que o mês acabasse. Quem tinha conta em banco, a minoria da população, penava um pouco menos porque à tarde, antes de o banco fechar, aplicava o dinheiro que estava na conta no overnight. De manhã, depois de tomar café e ler o jornal, nova ligação para o gerente para aplicar o que sobrou no open market. A vida era feita de contas, miúdas, chatas. Perdíamos um tempo louco, decidindo se era melhor comprar à vista ou à prazo. Se era o momento de comprar dólar ou gasolina. Se lotávamos o freezer com carne, peixe ou frango. Em resumo, era um inferno.

Hoje, depois ser assaltada na doceira Brigadeiro, de Pinheiros, que cobrou 20 reais por um pedaço de torta de pêra. Hoje depois de abandonar uma bandeja de rosbife na boca do caixa do Pão de Açúcar ao descobrir que 100 gramas custavam mais do que o dobro que na padaria na frente de casa, tomei uma decisão que compartilho aqui.

Não quero viver na merda de novo. Não desejo essa desgrama para meu filho.
Porque não quero nem desejo, me rebelei. Protestei. Boicotei. Resisti. Entre amigos, mobilizei. Não vou mais comprar nada que tenha um preço aviltante, abusivo, absurdo. Não me importa se são cinco, 50 ou 5000 reais. Não vou comprar. Não vou ceder. Não como. Não bebo. Não uso. Não viajo. Não durmo. Ponto. Basta.
Não vou alimentar o dragão. Não vou incentivar a especulação. Não vou dar camisa a aproveitador, atravessador e nem a empresário malandro e oportunista. Não vou ceder ao marketing nem ao consumo auto-indulgente. Só vou comprar o que for urgente, necessário e quando o preço estiver justo. Simples assim.

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14 comentários sobre “Não vou comprar nada que tenha um preço aviltante, abusivo, absurdo. Simples assim

  1. Olá Claudia ,…, tento fazer isso há algum tempo. As pessoas perderam o bom senso, e não há quem não queira se dar bem num curto espaço de tempo, a falta de respeito impera. Se observamos a épocas de promoção , este abuso fica claro: como que se pode chegar a 70% de desconto! principalmente roupas e calçados! e ainda assim obter lucro? Porque claro, as promoções não são atos desesperados pra garantir a venda, é apenas a indução ao consumo pra que possam substituir as prateleiras pela nova coleção.

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  2. ADOREI! Também não pago, não compro e não cedo. As pessoas às vezes parecem não entender que elas NÃO são obrigadas a comprar NADA! Só comida. E mesmo assim, tem como optar por preços coerentes e não abusivos. Sempre digo, que qualidade custa mais caro que o popular, que a longo prazo não compensa, porque estraga/quebra. Mas há um limite. 450 reais numa camiseta pólo por causa de um JACARÉ, pra mim, é falta de vergonha na cara. De quem vende e de quem se presta a comprar.

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    1. Claudia, obrigada por sua mensagem. Exato. Você rocou em um ponto crucial. Os descalabros só existem porque há o que aceita a barbaridade. Vale para tudo: consumo, drogas, pornografia, tráfico, armas. Não, obrigada é a nossa palavra de força, de resistência e de luta.

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  3. Claudia, tenho feito isso. É como fazer dieta, passados os 5 minutos do impulso ou da suposta necessidade a gente percebe q sobreviveu sem aquilo e até chegou em casa e viu q tinha uma boa opção na geladeira q estava ali esquecida. É um hábito q devemos alimentar.

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  4. Claudia, gostei muito da tua colocação. Aliás , tenho gostado de praticamente todas. Li num livro que “em toda a mulher notável cada uma de nós também pode se reconhecer”, Rose Montero. Também fui uma executiva (acho) de um grande banco – da área ambiental- depois fui ser executiva de uma grande empresa ( na área de sustentabilidade) e quando perdi meu emprego em 2012 descobri, amargamente, que o fato de trabalhar numa área super legal, que (teoricamente) transforma (ou transformaria) o mundo em um lugar melhor , isso não me dava nem me deu garantia de nada. Poucos amigos restaram, poucos ajudaram a buscar recolocação e assim por diante. Refiz minha vida com base outros valores e busco ser feliz podendo ajudar mais a mais pessoas. O trabalho passa ter essa conotação: o que fazer para contribuir? assim posso ser útil não somente na minha área. Agradeço muito a tua visão. É um balsamo para quem saiu desse estereótipo de “executiva bem sucedida”. um abração

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    1. Ana, obrigada por sua mensagem. Engraçado. Estava pensando nisso hoje. Os estereótipos empresariais e corporativos e as imagens que construímos a respeito de nós mesmos. Fico feliz que você refez sua vida, assim como eu estou fazendo com a minha. grande abraço

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