O que aprendi com meu primeiro casamento

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Eu estava no colegial quando cometi uma enorme grosseria com minha professora de química, dona Iara. Escrevi um texto pretensioso afirmando que de nada me valia estudar química orgânica, já que nunca aplicaria aquele conhecimento. Até hoje enrubesço de vergonha pela minha estupidez. Já usei, sim, o pouco que aprendi com ela. Quando repórter de saúde precisei me valer da tabela periódica para explicar para o leitor de uma capa como e porque os sabonetes faziam espuma.

Ontem, procurando fotos para uma reportagem, me deparei com a a imagem acima. Sou eu, Guilhermina Guinle e Fábio Júnior em Bora Bora, no Taiti. Levei-os até lá, como editora da revista CARAS, para celebrar o casamento deles à moda polinésia e produzir uma reportagem de capa para a revista. Foi encantador. Guilhe era jovem e lindíssima. Parecia uma Afrodite chegando de catamarã à praia, onde Fabio a esperava nervosíssimo, vestido de sarongue branco, coroa e colares de flores. Era o terceiro casamento do cantor e no século passado ele não tinha tanta experiência de bodas. Essa história aconteceu em 1995. Na época, curti a viagem para o Taiti, adorei a hospedagem no hotel Bora Bora Lagoon Resort, então o mais sofisticado do mundo, e me diverti na companhia do casal, inteligente e animado. Jamais imaginei que o aprendizado do meu primeiro casamento me seria tão útil 20 anos depois.

Neste ano, realizaremos 22 casamentos na pousada A Capela. Celebrar a união de casais apaixonados (assim espero) é uma fonte de receita importante para o meu plano A. Negocio o aluguel do espaço, vendo várias dezenas diárias e também cuido da preparação, do evento e do pós evento. Estou sempre lá a postos para resolver pepinos, acalmar ânimos e fazer orações para afastar a chuva. São momentos únicos, que envolvem planejamento, às vezes, de anos, desejos e fantasias. É uma data muito, muito importante. As famílias se encontram e se emocionam. Os noivos compartilham com todos o seu amor. Além de ganhar dinheiro, ganho emoção, carinho e gratidão, especialmente quando consigo realizar o sonho dos casais.

Quando casei Fabio e Guilhe, não pensava assim. Era por demais gauche na vida. Achava o casamento uma instituição falida. Uma bobagem burguesa. Boba era eu. Ainda bem que o passar dos anos, me trouxeram um pouco de juízo e muito aprendizado, além de rugas e cabelos brancos. Sem me dar conta, aprendi lá na Polinésia que as cerimônias são importantes para marcar momentos únicos em nossa vida. O relacionamento pode até acabar, como aconteceu com o casal que casei. No entanto, a memória daquela semana apaixonada e ensolarada viverá para sempre em nossas vidas. Aqueles dias felizes estão congelados num tempo de delicadeza, quando o que era bom tornou-se ótimo. Tornou-se único. Pessoal. Intransferível. Viver momentos assim vale a vida. Ainda bem que descobri isso a tempo.

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4 comentários sobre “O que aprendi com meu primeiro casamento

  1. Casei-me pela terceira (e última, rs) vez mês passado. 🙂 O primeiro foi numa capela, poucas pessoas e um champanhe depois. O segundo sem festa. O terceiro teve cerimônia umbandista e festa. Ouço as pessoa dizerem: “As pessoas fazem o maior festão pra depois separar.” Nunca entendi a relação de uma coisa com outra. Sempre pensei que o momento da união é feliz e apaixonado e deve ter festa sim, se for do desejo, com muita alegria e tudo que tem direito. Porque a vida é de viver os momentos. Se eles acabarem depois, valeu, fez história. Já imaginou, nem fazer festa porque UM dia PODE ser que acabe?! Eu hein….. quero muita festa sempre na minha vida, com tudo. Porque no fim da vida, o legal é olhar pra trás, como se fosse um álbum de fotos e poder dizer: “Porra, VALEU! Foi bom pra caraca!”

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  2. Claudia Giudice,

    Bom dia, querida. Acompanho suas mensagens e sou encantada com a sua história. É mais que superação, é reconstrução mesmo. Vc é uma inspiração para todos. Preciso de um grande, imenso favor. Se vc fizer uma pesquisa no Google “blog da feira BRT” verá que a população de Feira de Santana está lutando contra um crime ambiental. O prefeito quer derrubar 140 árvores (inicialmente falaram 400, caiu mal, agora falam 140 árvores que seriam replantadas em outras vias públicas). Para implantar, no coração da cidade, uma via expressa de ônibus. Vc conhece Salvador, pois isso seria como transformar o Corredor da Vitória em Barros Reis. Um crime ambiental e urbanístico. O prefeito conseguiu caçar a liminar que impedia isso e começou imediatamente a retirar árvores. Com picaretas (como vai conseguir replantar?) Seja nosso ouvido e nossa voz. Vc tem milhares de seguidores, políticos temem a opinião pública. De algum modo, se a opinião publica começar a falar ele poderá recuar. A igreja está intermediando a discussão. O Papa acabou de publicar uma encíclica falando sobre a importância de preservar o meio ambiente. Nem sei o que ou como vc poderá nos ajudar, mas confio que o que vc fizer será bem feito. Muito obrigada pela atenção Sucesso. Beijo

    Luiza F. 71.9957-4592

    Enviada do meu iPhone

    >

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