Hoje eu vou subir no banquinho….

Quem me conhece há tempos sabe que nunca fui santa. Quem me conhece há tempos sabe que foi militante xiita. Quem me conhece há tempos sabe como já briguei pela estrela vermelha e pelo número 13. Quem me conhece há tempos sabe da minha mania de me inflamar, subir no banquinho e fazer discursos fervorosos colocando a mãe e o pai no meio. Por causa de política, já fiquei tanto tempo sem falar com tanta gente. Que bobagem.
Não votei no primeiro turno porque estava longe de casa correndo atrás. Não votarei no segundo, porque de novo estarei longe de casa correndo atrás. Estou evitando ver debates. Estou evitando dar palpites. Mas a rede é invasiva e avassaladora. Mesmo só abrindo meus canais no final do dia, sou soterrada de piadas, falas, gritos, sussurros, loucuras. Meus grupos de what’s up, compostos de pessoas queridas, também trazem a diversidade, a diferença, a opinião.
Passei o dia todo mergulhada em uma experiência única, na qual era virgem, neófita. Implantar um sistema de gerenciamento de reservas e consumo. Um zilhão de comandos, alts, tabs, f2,f5, shit, control, del. Uma loucura para alguém sem método como eu. Para não desconectar da app e sair voando pelo éter, usei o mesmo método que criei para andar de bicicleta por São Paulo e sobreviver. Fiquei focando, procurando riscos, armadilhas, perigos à espreita pelo caminho.

Mas e se o carro não parar no farol? Mas e se o hóspede não chegar? Mas e se ele quiser trocar o apartamento 5 pelo 14? Mas e se eu perder o equilíbrio quando passar pela tartaruga?
Estava com a cabeça e as mãos em chamas quando meu instrutor fez uma pausa e me mostrou o vídeo do debate de ontem. Dilma provoca e Aécio detona. Fala de Collor e Lula, relembrando o caso Luriam (leitores menores de idade, corram para o Google), fala da irmã dele, na minha opinião o gênio da família Neves, e cita o irmão da Dilma, qualificando-o como uma maria-candelária das alterosas. Climão no ar. Ele, que veio à passeio na vida, está inspirado, articulado, com olhar de hárpia. Vencedor. O vídeo termina e a edição traz Dilma trêmula, sôfrega, tonta, falando trocado, pedindo água, dizendo estar passando mal. Quem ficou mal fui eu.
Naquele instante, ficou claro para mim algo que muitos já me disseram: Dilma quer a vida dela de volta. Ela nunca sonhou ser presidente da República quando foi torturada nos porões da ditadura. Ela apenas aceitou, como estóica militante que é, aquilo que a vida lhe deu. Mandaram ser candidata, perfeitamente. Mandaram se reeleger, vamos em frente. Nunca vi em Dilma o brilho no olho que a política proporciona. Se parece com olhar dos viciados em drogas e sexo. Ela não o tem. Nunca o teve. Sim, pode até assinar cheques em branco para canalhas e corruptos porque é estóica, porque é militante. Mas não acha a mínima graça jantar com reis e rainhas. Por que aceitou tudo isso? Acho que porque em algum momento da vida, ela, eu e um monte de mulheres acreditamos que podíamos ser iguais. Que podíamos compartilhar dos mesmos desejos e sentimentos masculinos. Errei, erramos.
Não votarei na Dilma. Não votaria no Aécio. Acho que o PT passou dos limites. Acho que o PSDB e a elite que ele representa nunca teve limites. Torço para que o Brasil consiga continuar sobrevivendo aos seus políticos.

Sou do século passado. Acreditei que morreria devendo uma dívida externa impagável. Já pagamos. Achei que a miséria seria uma doença crônica brasileira. Nos curamos. Falta matarmos a corrupção e todos os políticos e dirigentes que vivem enganchados nela. Estamos em tratamento.

Anúncios

Um comentário sobre “Hoje eu vou subir no banquinho….

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s