A árvore da amizade

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Tive muita sorte na vida. Toc, toc, toc na madeira. Nasci em uma família estruturada e amantíssima. Comi bem, estudei bem, desfrutei do bom e do melhor. Só isso me bastaria para ser feliz. Tive, no entanto, sorte demais na vida. Em quase 49 anos de trajetória, da Maternidade São Paulo até aqui, conheci pessoas extraordinárias e fiz amigos, muitos amigos, para todo o sempre. Alguns estão sempre por perto. Alguns vão e voltam. Outros ficam longe mas nunca saem de perto. Com eles fui tecendo a minha história. Um bordado rico e colorido, de fios que se entrelaçam e se apertam na medida na necessidade. Tive muita necessidade recentemente e não falhou.

Do tempo da escola, tenho duas espetaculares amigas que tenho certeza vão me acompanhar e apoiar até a eternidade. Somos irmãs. Hoje, um dia espetacularmente bom, com direito a bicletada com lua cheia, experimentei com uma delas o compartilhamento materno. Isso mesmo. Dividi, oficialmente, minha mãe com ela que perdeu a mãe — que era como uma tia para mim — no ano passado. A cena foi singela e linda. Minha mãe falou: “Giselle, gosto de você como eu gosto de uma filha”. E olhou para mim e disse: “Filha, tenho certeza que você não terá ciúmes desse meu amor, porque vocês sempre foram irmãs”. Emocionadas, rimos e brincamos que quem iria sentir ciúmes seria a Roberta, que perdeu o momento porque estava viajando em eterna lua-de-mel.

Do trabalho, então, tenho um verdadeiro tapete persa, tecido em seda, de amigos profundos. Em poucos meses, celebro 30 anos de atividade — com recolhimento de INSS e tudo — que me proporcionaram milhares de parceiros queridos (só o Rei tem um milhão de amigos). O mais bacana é que a falta de crachá não fez a menor diferença nessa história. Ao contrário, recebi apoio, suporte e solidariedade de todos os lados. Especialmente daqueles com os quais compartilhei os piores e mais difíceis momentos. Amizade forjada em terremoto, tufão e pescoção é inquebrantável.

Por isso, quando decidi começar esse post, lembrei dessa árvore (foto) que comprei agora nos Estados Unidos. Ela é frágil porque é feita de argila e papel machê, mas ela se mostrou incrivelmente forte e resistiu a mais de 15 mil quilômetros de viagem sem quebrar (Oaxaca/San Francisco/Los Angeles/Grand Canyon/Los Angeles/ Washington/ São Paulo/ Salvador). O milagre, acredito, é simbólico, porque para mim ela representa a árvore da amizade. Folhinhas e pessoinhas juntas, crescendo, vivendo, experimentando. Em volta, em torno, de mãos dadas. Parece babaca? É, mas é assim mesmo.

Sim, quem é meu amigo sabe que uma árvore foi muito importante na minha vida. Sob a sua copa vivi muitos anos, trabalhei, aprendi, ganhei dinheiro, casei, tive filho e me tornei quem eu sou. Uma história linda e inesquecível. Passou, passarão, passarinho. O presente segue como na minha árvore mexicana: repleto de pessoas com quem espero continuar dividindo a amizade e a vida.

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3 comentários sobre “A árvore da amizade

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