De volta à Rego Freitas

Passei anos dentro de um aquário de vidro, representando uma persona e um status quo. Era muito feliz. Me divertia muito e fazia o que fazia por paixão. Hoje vivi uma situação diferente e conhecida — porque antes de ser o que era fui muitas coisas, inclusive sindicalista. Sim, podem dizer, fui traidora da classe operária? Depois de tudo o que vi e vivi, acho que não. Mas não é esse o caso.
Longe do aquário, sai de casa, pedalei até o metro. Me inscrevi no estacionamento de bicicletas — obrigada Fernando Haddad, obrigada banco Itaú (casamento moderno) – comprei um passe do bilhete único (18 reais) e fui para o sindicato me reafiliar. Desci na praça da República de tantas memórias, segui em direção à Rego Freitas. Passei pelo IAB, caindo aos pedaços, e pensei que podiam fazer uma Casa Cor lá para melhorar o astral.
Mas a experiência genuína e interessante aconteceu no Sindicato. Fiz tantas coisas lá no século passado e parecia que o tempo não havia passado. Subi as escadas a pé e fui à secretaria cuidar da minha burocracia. Encontrei pessoas queridas. Minha presença, no entanto, pareceu gerar constrangimento e em um caso um pensamento:”bem feito. chegou sua vez”. Sorri. E pensei: mereço. Sei que fiz mal a muita gente. Mas o aquário de vidro é assim: frio. Pragmático. E nasci peixe, fria e pragmática.
O mundo do lado de fora é gelado como o mar do norte, selvagem como o deserto, mas encantador. Tão encantador que falta ar. Tenho um plano antigo de escrever crônicas sobre a experiência do plano B. Fiz uma pousada, que virou meu plano A. Nos próximos capítulos um pouco dessa trajetória feita sem análise swot. É divertida. Pode não ajudar ninguém, mas também não vai atrapalhar.

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12 comentários sobre “De volta à Rego Freitas

  1. Lais de Castro Eu trabalhei 41 anos, mas em várias editoras. Quando eu saí, como você, e me perguntavam “de onde” eu resposta era diferente : Lais de Castro, prima dela! Se era um cara, prima dele. E a moça, séria, Dr. Roberto Civita, sua prima está aqui embaixo… KKKKKKKKKK
    tempos distantes…

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  2. Adorei o nome do blog “a vida sem crachá”. O crachá vicia. Ao ponto de eu, por engano, mostrar o crachá da Abril para o porteiro ao entrar no prédio onde moro. E confesso que nos meus últimos dentre os 25 anos em que trabalhei na Editora Abril já estar incomodada porque o número do meu crachá tinha só três dígitos, denunciando tanto tempo de casa. Bem-vinda Claudia à vida sem crachá! E aqui vai uma sugestão: ao se apresentar numa portaria, pode dizer “Claudia Giudice, da empresa A Vida Sem Crachá. Vão querer mandar currículo para trabalhar na sua empresa, aposto. beijo

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