Veruska e a duna

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A mensagem era curta e sincera.

“Fui lá antes de 1970. Era namorada do pai dos meus filhos. Dei uma guinada em minha mãe e escapamos para a Aldeia Hippie. Fizemos amor nas dunas, sob o luar.

Depois, já na década de 1970, livre do jugo materno e da prisão do marido, voltava lá, de vez em quando, com um parceiro. Íamos namorar e ficávamos naquela pousada das barracas. Esqueci o nome do dono. Era muito gente fina.”

O teor explícito e honesto da mensagem mexeu comigo. Poucos expõe com tanta simplicidade e transparência momentos tão intensos e íntimos. Confesso, fiquei curiosa e fui fuçar no FB quem era a Veruska. Não encontrei muita informação disponível, apenas o retrato de uma senhora de cabelos curtos e óculos escuros. Admirei dona Veruska. Invejei-a também. Noites de amor nas dunas não são para qualquer um.

Fiquei imaginando como ela se sentiu, 40 anos depois, revivendo aquelas memórias. Será que um arrepio de prazer acendeu a espinha dela? Será que sentiu saudades do pai do filho dela? Será que teve algum arrependimento? Desejou voltar lá com alguém?

Fiquei imaginando dona Veruska fuçando o álbum de fotografia em busca do namorado que a levou às dunas. Será que ela perdoou ou entendeu a caretice da mãe, que a impedia de ser feliz? E o parceiro? Quem seria? Um namorado? Um amante? Era casado? Era colega de trabalho? Será que fugiam da firma ao meio dia, inventando uma visita a um cliente em Feira de Santana e tomavam o rumo de Arembepe?

Pensei em mandar uma mensagem para dona Veruska. Propor uma entrevista. Ou apenas uma conversa franca. Desisti. Alimentar a dúvida, às vezes, é mais gostoso do que procurar saber. Vou imaginar muitas ousadias para dona Veruska. Ela e eu seremos mais felizes assim.

 

 

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Descobertas da meia idade

Sou perfeitamente imperfeita. Sob emoção, me torno um espetacular e perfeito desastre. Faz muito, muito pouco tempo que aprendi a achar graça e a trolar a mim mesma. Grande avanço. Não era assim. Ao contrário, sofri com perfeição pelas fraquezas do meu caráter.

Lembrei hoje do dia em que queimei a primeira papinha que preparei para o meu Chico. Fiquei arrasada com minha incompetência e distração. Não me perdoei. Não me dei trégua. Culpada, sentei no chão da cozinha e chorei. Foi tão ridículo que senti vergonha de mim. As pessoas perfeitamente imperfeitas com mania de perfeição sobre de vergonha absoluta porque a imperfeição lhes parece vergonhosa.

Olhando para trás pelo retrovisor da memória, senti uma dó danada daquela Claudia com complexo de perfeitinha. Pobre dela, que tinha que trabalhar feito burro de carga e ao mesmo tempo ser a mãe mater dolorosa do início dos anos 20. Sim, porque nem sempre as mães foram assim. Em outras eras, criança nascia a rodo e se criava só, feito criação.

Papinha, lição, trabalho, meta, programa, viagem, plano, namoro, amizade, relação, evento, apresentação, resultado… A lista de itens sob a obrigação de cumprir a risca da perfeição dão uma Bíblia. Nem vou correr o risco de ampliar o rol. Parecia normal. Parecia o mínimo. Quantas lágrimas perdidas.

Elza Soares a única trilha sonora possível para essa prosaica descoberta.

 

Sabático feito de amigos

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Adoro festa. Todo mundo sabe disso. Porque nasci no dia 2 de novembro, nunca tive festa de aniversário. O recalque virou paixão. Adoro festejar tudo. Por força do gosto e do hábito, faz uns 12 anos que comecei a viver de festa. Não, não é isso que você está pensado. Não frequento festas diárias. Faço, organizo, vendo festas de aniversário, casamento, Réveillon, carnaval, batizado, confirmação de bodas. São todas essas e quaisquer outras modalidades de celebração que garantem 50% do meu ganha pão. Primeiro, no mundo editorial. Depois e agora, no mundo do “destination wedding” e do “destination party”, o nome besta que inventaram para as celebrações que acontecem na minha, na nossa Pousada A Capela. Neste ano, trabalharei em mais de 20, se Deus quiser.

Vale dizer: cansa trabalhar em festa. Você perde noite. Lida com bêbado. Carrega peso. Rala e, claro, não se diverte. A festa não é sua. É dos outros. Do cliente. O legal de trabalhar em festa é poder ficar invisível. Você coloca uma roupa adequada e encosta num canto. Faço isso a pretexto de ver se está tudo bem. Fico lá feito mosca, vendo se não falta comida. Se o chão está limpo. Se os garçons estão rápidos e eficientes. Se os copos estão cheios. Se o DJ pegou o clima. São detalhes invisíveis que fazem uma festa ser boa ou não.

Ontem, encostada no vidro blindex da piscina, tive um insight, que prefiro chamar de “puta ideia”.

Fazer festas é bom. Mas o festejante, em geral, tem pouco tempo para desfrutar dos amigos. A missão dele é rodar pela festa. Sorrir, abraçar e agradecer todo mundo. Não é fácil contar com a presença de todos e os que comparecem merecem muito amor.

Observando a atividade frenética dos anfitriões de ontem à noite, cogitei. E se no lugar de fazer festas, fizéssemos uma espécie de sabático amigável. O que significa? Eleger uns 100 dias por ano para marcar e curtir com 100 amigos queridos que você guarda no lado esquerdo do peito.

Não vale um encontro fortuito ou casual tipo sinal fechado-olá-como-vai-eu-vou-indo-você-tudo-bem. Tem de ser demorado, gostoso, relaxado. Tem que render boas histórias, que costurem muitas lembranças e deixem muitas outras memórias e conversas soltas no ar para amarrar, no futuro, um novo encontro.

Ontem, eu tive uma noite assim. Amigável. Sabática. No meio da tarde, recebi um zap do meu amigo Serginho. Nos conhecemos há 20 anos.

– Está onde? São Paulo ou Bahia?

Bahia, respondi, crente que ia perder uma boa. Errei. Ele também estava aqui para um compromisso profissional. Com a sexta à noite livre, pegou um Uber e veio até Arembepe ser meu amigo.

Fazia quase três anos que não nos víamos. Isso acontece. Sabíamos um do outro por amigos comuns, por post nas redes sociais, por textos e reportagens. Curiosamente, falei dele nesta semana com a Helena, em outro jantar sabático amicíssimo. Acho que o chamei.

Tivemos uma noite linda em meio a balbúrdia dos amigos do Diego e da Gabriela, noivos do final de semana, uma dupla campeã no item amigabilidade. Comemos, bebemos, falamos, rimos, celebramos o passado, o presente e o futuro. Já temos um próximo encontro marcado para falar do que não deu tempo ontem. Antes da meia-noite, Serginho chamou outro Uber e partiu. Tinha trabalho hoje. Eu também. As quatro horas que passamos juntos valeram a amizade, a vida.

Desde então, tenho dois projetos essenciais: o sabático das viagens pelos lugares que não conheço e sinto saudade e o sabático das amizades que preciso encontrar para ser feliz. Tudo junto e misturado. Colocarei em prática ambos os projetos. Prometo afinco, afeto e dedicação, como devem ser as boas coisas da vida feitas com amor e prazer.

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De onde vem o amor?

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De onde vem o amor? Como nasce esse sentimento tão indefinido e tão concreto por alguém, lugar, coisa, bicho?

Penso nas duas respostas enquanto sinto um calor gostoso, quase sufocante, passeando no peito. Levo minha mão esquerda ao colo para sentir se há palpitação. O sentimento que me arrebata nesta manhã de quinta-feira e me faz sorrir aquele riso disfarçado de Monalisa não combina com a paisagem cinza do dia molhado. Desde ontem já choveu mais que nos últimos 60 dias, diz a moça da previsão do tempo.

Estou em Arembepe. Arembepe não combina com chuva. Arembepe combina com amor. Por isso, escrevo. Por isso, sorrio. Por isso, sinto esse calor de amor enchendo o peito. Estou feliz por um motivo besta, mas felicidade é assim. Combina com besteira. Hoje Arembepe é tema da capa do jornal Folha de São Paulo!!!!

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Podia fazer a blase e fingir que tanto faz. Não tenho mais idade para isso. Faz muito, importa muito, ajuda muito. Estamos há mais de um ano lutando para tornar Arembepe um destino turístico. Nos reunimos na associação dos comerciantes (ASCARB) semanalmente. Fizemos um trabalho lindo de planejamento estratégico com a ajuda do Sebrae.  Realizamos campanhas de mobilização pela preservação ambiental e contra as invasões em Arembepe. Organizamos eventos para celebrar os 50 anos do movimento hippie, assunto que foi pauta e gancho para a matéria. Batalhamos. Falamos. Sonhamos. Investimos. Lutamos. Ser capa de jornal é um puta motivo para ficar MUITO feliz.

Ser capa de jornal também foi motivo dessa reflexão. Por que sinto tanta alegria e tanto amor? Não nasci em Arembepe. Não tenho parentes aqui. Fiz alguns queridos amigos. Mas os tenho em tantos outros lugares e nenhum me arrebatou tanto. De onde vem o amor? Como ele nasceu? Por que nasceu? Lembro do dia que senti que não conseguiria mais ficar longe daqui. Em prantos, tive certeza de que Arembepe era o meu lugar. O motivo até hoje não sei. Apenas aceitei o destino. Apenas acatei a ordem. E sempre que vou, parto louca de vontade de voltar. De novo, de novo, de novo.

De onde vem o amor?

Ainda não achei a resposta. Mas meu amigo Nestor Amazonas respondeu a resposta dele em versos, por meio de uma “co-criação” linda de Gilberto Gil. Roubo as palavras deles para deixar minha reflexão mais bonita.

De onde vem a paixão?
Vem debaixo do barro do chão.
De onde vêm a esperança, a sustança,
espalhando o verde dos teus olhos pela pelo marzão?
Vêm debaixo do barro do chão.
Que sobe pelo chão
E se transforma em ondas de baião, xaxado e xote
Que balança o cabelo da menina, e quanta alegria!
(Nestor Amazonas plagiando Gil)

 

Não se afobe, não

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Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Futuros amantes é uma das músicas que mais gosto dele. Adoro a imagem do amor, entidade concreta, esperando em silêncio, no fundo do armário, no correio, milênios e milênios, até a hora de unir, juntar, apaixonar, novamente ou pela primeira vez, tanto faz. Melhor ainda é a ideia deste amor perdido aqui, que pode, quiçá, servir ali, para outrem. Eles, os futuros amantes, que, amavelmente, irão reciclar o sentimento que, um dia, tive, ganhei, perdi e deixei para você.

Nada é para já. Eu sei. Mas sou afobada, acelerada, alucinada. Sempre que o peito aperta, cantarolo o refrão baixinho, só para mim, para me acalmar, me convencer que vai dar tudo certo, que sempre dá.

Ontem deu. Mais que deu. Ontem eu voltei lá. Feito a sabiá. A convite de um amigo único, ímpar, gentil, generoso, que jamais será suficientemente agradecido e retribuído. Obrigada MFC, outra vez, outra vez e outra vez. Nós, ali, bem na frente dele. Tão perto, que, no começo, fiquei nervosa, tensa. Não podia dar vexame. Não podia exagerar. Sem fotos. Sem arroubos. Olhos nos olhos. Olhos de ardósia. Olhos luminosos e molhados.

Ontem eu voltei as horas para trás. Não teve caravanas, não teve atropelo, não teve gota d’água. Ontem foi só música, lirismo e poesia. Mentira. Estou me contendo com vergonha de parecer uma daquelas loucas que berram no escuro: “lindo, eu te amo Chico.” Ontem foi único. Foi mágico. Foi feliz. Foi arrebatador. Ontem foi todo sentimento. Ontem ainda não acabou. Por isso, não se afobe, não.

 

 

 

 

Qual a lição?

Na semana passada, trabalhei bastante. Foi bacana. Foi legal. Fiquei feliz. Fiquei satisfeita e, bom, ganhei um dinheiro muito decente. Semana espetacular. No sabadão, avião na madrugada rumo à pousada para ajudar em mais um casamento. Na era do pós-emprego, não tem dia para pegar no pesado. Sem crachá e com contas para pagar, a celebração do amor é garantia de receita extra. Novamente, tudo certo. Uma festa linda, com clientes legais, tudo funcionando bem. Durmo tarde. Acordo cedo. Domingo com casa cheia. Churrasco para os noivos. Apresentação para fazer. Contabilidade. Planilha Excell para preencher. Justo.

As primeiras missões do dia eram simples como o alvorecer. Abrir as cortinas do salão para a piscina. Checar lançamentos de consumo. Pegar as chaves e correr para a padaria buscar o pão. Olho para o meu buggy fofo e desisto dele porque o motor é barulhento e podia acordar hóspedes de sono leve. Embarcado na Ranger, um caminhão travestido de caminhonete cabine dupla. Engato a ré. Faz calor. A cabeça dói. A música está alta. Preciso correr para fazer uma …. Ouço um barulho seco. Pam. Breco imediatamente. Olho no retrovisor. Atrás de mim um voyage cinza. Desço correndo. Olho para meu carro/caminhão e nada. Tudo igual. Viro para o voyage e encontro uma porta amassada como se ela fosse feita de papel machê revestido de papel de alumínio. Miséria.

O dono do carro desce a ladeira. Corro pedir desculpas. O carro é alugado. Me ofereço para pagar tudo. A culpa era só minha. Absolutamente minha. Gentil e muito educado, o meu generoso hóspede é cortês. Aceita minha desculpas. Não se exalta. Coloca as malas no carro e parte para o aeroporto a fim de devolver o bólido e embarcar para casa. Promete ligar na segunda.

Hoje, segunda-feira, eu já tinha quase me esquecido do assunto. A mensagem de WhatsApp com DDD de Porto Alegre me lembrou. Claudia, a conta ficou em R$ 1730. Emudeci. Gelei. Abestalhei.

Sim, a Localiza cobrou R$ 1730 pelo conserto da porta. Sem chance de negociação. Sem oportunidade de pedir reembolso para o meu seguro. Sem chance de regatear. Mas o assunto não é a arbitrariedade da locadora de veículos. Isso é assunto para advogados. O tema é entender o porque e buscar uma razão. Por que trabalhei tanto para perder o trabalhado por causa de uma barbeiragem e uma desatenção? O que preciso aprender com isso? Qual a lição? Que aprendizado tiro? Não pode ser algo tão simples como “presta mais atenção quando der ré naquele caminhão”. Ou vai de bicicleta buscar o pão porque é mais saudável e menos arriscado. Ou ainda, para de querer fazer tudo. Dorme mais. Relaxa. Pensa positivo.

O texto é besta. A reflexão pobre. Mas a pergunta fica. Uma hora a resposta chega. Talvez seja hora de eu deixar de ser pão duro. Avara. Mão de vaca. Ou talvez seja hora de parar de trabalhar tanto. Vou pensar. Vou pensar.

 

 

 

A culpa deve ser do sol

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Os primeiros 30 minutos foram lindos. Você lá, todo de preto, mais grisalho que no último encontro, cantando com seu fio de voz os versos e as melodias que mais amo em qualquer idioma, a qualquer hora, em qualquer tempo. Nem ouvi as vozes esganiçadas ao meu redor. Nem dei nota aos gritos histéricos. Não me toquei com o coro fora de hora exigindo o despacho tardio do presidente.  Tudo o que importava era o nosso encontro amoroso, que se repete, religioso, a cada nova caravana. Dessa vez, era para ser ainda mais especial, porque trazia comigo outro Chico, meu curumim, de pai e avô paulistanos, e minha baiana querida, vinha de longe, para compartilhar desse encontro.

Você ainda não tinha cantado:

“É um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos
Um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba
A caravana do Irajá, o comboio da Penha
Não há barreira que retenha esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alá
É o bicho, é o buchicho, é a charanga”… 

O momento ainda era romântico, doce, lírico, tempo de delicadeza, quando o homem de calça social bege e camisa branca, com listas finas azuis, desferiu o soco. Soco seco, de intensidade média, com punho cerrado. Foi um soco raivoso, irritado, impaciente. Soco de quem não aprendeu a dizer “por favor, será que você pode abaixar o celular que está me atrapalhando”. Soco de quem não gosta de caravana. Soco de quem não pode ser contrariado.

O soco não me atingiu. Estava no meio. Estava com o celular na bolsa, exceção na casa de espetáculos, onde mais de mil mãos tentavam registrar e guardar um pouco de você em seus modernos smartphone. O soco atingiu as costas da minha amiga, que viajou dois mil quilômetros para lhe ver. O soco a deixou irritada e transtornada. O soco me deixou transtornada e enfraquecida. Desliguei de você. Lhe disse adeus e mergulhei na fossa imunda ao meu redor. Depois do soco, à flor da pele, os gritos de “cala a boca-seu idiota, sai da frente-senta seu cretino-cala a boca sua vaca-dá licença-não dou” ficaram mais altos que sua voz.

Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará
Não há, não há

Sol
A culpa deve ser do sol que bate na moleira
O sol que estoura as veias

A culpa deve ser do sol. A culpa de ser do Lula, da Marielle, a culpa deve ser sua… Pensei em quebrar uma garrafa e partir para cima do cara. Pensei em fugir correndo da sala. Pensei em pedir socorro. Pedir para você mandar o homem de camisa branca com listas azuis pedir desculpas e prometer nunca mais socar ninguém. Mas depois de outra gritaria coletiva, você disse que, graças aos fones de ouvido, não ouve a balbúrdia. Logo, não ia me ouvir. Sorte sua. Dessa vez, pode cantar Sábia sem ligar para os apupos. Eu não. Ouvi mais um “cala boca seu idiota” e chorei como se tivesse voltado à aquela noite de setembro de 1968. A culpa deve ser do sol.